Tecarmo: manifestantes pedem demissão

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Trabalhadores protestam no Tecarmo (Fotos: Portal Infonet)
Funcionários de uma empresa terceirizada da Petrobras (Tenace) decidiram na manhã desta sexta-feira, 25 pedir demissão alegando que os trabalhadores da mesma empresa ganham mais na Bahia. Eles fizeram uma manifestação que durou três dias na porta da Unidade de Processamento de Gás Natural da Petrobras, no Tecarmo. 

Os trabalhadores vieram do Estado da Bahia no último dia 14 de março  para trabalhar em uma Parada cuja duração será em média de 20 dias. Após lutarem sem sucesso por melhores salários e condições de trabalho, resolveram retornar para Salvador.

Jaime Umbelino
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil em Sergipe (Sintracon), Jaime Umbelino de Souza explicou que a categoria passou três dias lutando principalmente por melhores salários. “São cerca de 350 trabalhadores que vieram de Salvador com a finalidade de trabalhar na manutenção da Parada aqui na Petrobras.

Só que ao chegarem aqui descobriram que receberiam pouco mais de R$ 600 enquanto para exercer as mesmas atividades na Bahia, um ajudante ganha R$ 1.200. Eles também reclamam da comida, água e das instalações nos hotéis”, ressalta lembrando que o Sindiscon representa todos os trabalhadores de empresas terceirizadas da Petrobras.

Jomar Nascimento
O diretor da Secretaria Geral do Sindicato dos Petroleiros de Sergipe (Sindipetro), Jomar Nascimento Ramos disse que o salário é mesmo inferior. “O salário que a Tenace paga aos trabalhadores aqui em Sergipe é infinitamente menor do que o praticado no Estado da Bahia pela mesma empresa.

Como a categoria é muito unida, resolveu na manhã desta sexta-feira, após três dias de paralisação, não participar mais da Parada. Para quem não sabe, Parada é sinônimo de bonificação, de verbas rescisórias e aqui eles não estão contando com os benefícios”, explica Jomar Nascimento.

Eduardo Santana
“O Sindipetro veio aqui participar das manifestações para dar um apoio até que o sindicato da categoria se fizesse presente. Nós não estamos representando os trabalhadores e sim o Sinduscon. Só que a Tenace entrou com uma ação contra o Sindipetro, injustamente, de maneira equivocada, determinando multa diária de R$ 10 mil. Na verdade, trata-se de uma tática para a desmoralização dos trabalhadores que reivindicam os seus direitos”, entende.

Contraponto

O gerente da empresa contratada pela Petrobras, José Eduardo Santana deixou claro que os trabalhadores não são petroleiros. “Somos uma empresa terceirizada e

Radiopatrulha foi acionada
os salários são mesmo diferenciados, pagos de acordo com as convenções coletivas dos sindicatos que representam os trabalhadores. Na Bahia, eles também recebem salários diferentes e todos eles estavam cientes de aqui os valores são menores. E o Sindicato da Petrobras tem a tabela deles, não é igual”, explica o engenheiro da Tenace.

Ele disse ainda que a idéia da empresa era contratar todos os trabalhadores em Sergipe, mas não encontrou mão de obra especializada. “Nós queríamos que os trabalhadores fosse 100% de Sergipe, mas como apenas 40% se adequaram ao perfil da empresa, abrimos vagas na Bahia e os 60% vieram de lá desde o último dia 14.

Trabalhadores ficaram desolados
São caldeireiros, soldadores e ajudantes. Eles estão todos bem instalados, e contam com transporte. A Tenace é uma empresa séria. Agora, com essa decisão, estamos buscando outras empresas para nos fornecer mão de obra”, enfatiza Eduardo Santana.

Petrobras

Na Assessoria de Comunicação da Petrobras, a informação é de que a estatal não tem nenhum envolvimento entre as contratantes e os trabalhadores e que as contratações dos trabalhadores é feita diretamente pelas empresas terceirizadas.

No início da manhã, os trabalhadores tentaram impedir a entrada de funiconários da também empresa Mirpe, quarteirizada. Uma equipe da Radiopatrulha foi acionada e permaneceu na frente do Tecarmo por toda a manhã desta sexta-feira.

Por Aldaci de Souza

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