Todos os políticos são vagabundos? – Henri Clay

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O Portal Infonet publica neste sábado, 13, um artigo escrito pelo presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-SE), Henri Clay Andrade, sobre um comentário feito pelo jornalista da revista ‘Veja’, Diogo Mainardi, no qual afirma que todos os “políticos são vagabundos”. Em seu artigo, o advogado faz um contraponto ao jornalista e que a opinião do mesmo vai ao encontro do Estado Demorático de Direito.

Confira o artigo:

Estava a bordo da aeronave que me conduzia até o Distrito Federal. Durante o trajeto, pus-me a ler compulsivamente a revista Veja, como forma de esquecer e aliviar a minha tensão quanto aos riscos que estava ali amargando.

Ao ler o artigo intitulado “O que deu em mim”, da lavra do jornalista Diogo Mainardi, fiquei chocado com a sua grave imputação de que “todos os políticos são vagabundos”.

Tenho para mim que na vida tudo é relativo. Fiquei a refletir sobre aquela expressão implacável e absoluta.

É certo que os fatos deprimentes e contumazes de corrupção chancelam o descrédito da classe política, mas daí a impingir que todos eles são vagabundos! É, sem dúvida, uma afirmação eloqüente. Entretanto, será que corresponde com a realidade? Se todos os políticos são vagabundos para que então o regime democrático?

Envolvido nessas reflexões, logo constatei o perigo da acusação. Ela não só afeta os políticos, mas, sobretudo, o Estado Democrático de Direito.

Tenho para mim que existem políticos passíveis de respeito. Claro que todos são falíveis, afinal, são pessoas humanas, cuja contradição nos é inerente. Sem citar nomes, refiro-me aos homens públicos que a história registra condutas compatíveis com os valores republicanos.

No meu exercício de cidadania, não compreendo o voto nulo como solução. Ao contrário, entendo ser um protesto que dá maior margem de atuação aos vagabundos que ocupam espaços de poder nos palácios e parlamentos. Sempre votei e voto. Na minha escolha não busco perfeição, coerência absoluta ou purismo celibatário. Todos fazemos parte da sociedade de falíveis.

A sociedade precisa ouvir a voz altiva e contestadora de todos eles sobre essa grave acusação, pois quem cala consente!

Henri Clay Andrade, presidente da OAB/SE

 

 


 

 

 

 

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