Trabalhadores do MST se manifestam contra decisão de juiz estadual

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Carlos Fontenele: Trabalhadores foram transferidos para o acampamento 13 de Maio
Cerca de mil pessoas estão realizando hoje um ato na região de Japaratuba para protestarem contra uma ação de reintegração de posse expedida por um juiz estadual. Os manifestantes são do Movimento Sem-Terra, que reclamam da suposta truculência com que foram retirados de uma área federal (margem da BR-101) por uma ordem estadual (juiz Paulo Marcelo Silva).

 

“O que é isso? Se um fazendeiro tem uma fazenda às margens de uma área federal ele manda em tudo? Por que temos vários acampamentos em áreas federais do Estado e nunca houve uma ordem de despejo?”, questiona João Daniel Somariva, coordenador estadual do Movimento dos Sem-Terra.

 

A história começou depois de um pedido dos proprietários das fazendas Topo e Calumby, explica Daniel. Segundo ele, a Família Calumby Barreto entrou com o pedido de reintegração de posse por se sentir turbada. Ao que parece, os donos das terras tinham medo que os manifestantes pudessem invadir as terras em questão.

 

A questão, segundo o sem terra, é de que as famílias estavam acampados em uma área da União, no caso, a faixa de segurança da BR-101. Segundo o superintendente regional do Incra, Carlos Antonio Fontenele, os manifestantes estariam querendo que o pedido de reintegração fosse levado ao DNit, e não a um juiz estadual.

 

“O Incra cumpriu apenas com a determinação do juiz, levando o pessoal do acampamento para um assentamento na entrada de Japaratuba, do Incra. Os trabalhadores questionaram o seguinte: por que, se eles estavam à margem de uma rodovia federal, a ordem não veio do Governo Federal, através do DNit?”, explica o superintendente.

 

Daniel ratifica a informação, mas acrescenta a ela mais um motivo para a realização do manifesto: “Esse ato tem dois objetivos, o primeiro é denunciar o que aconteceu na terça, quando o juiz deu ordem para reintegração de posse da área da BR-101 por influência de um fazendeiro. O segundo é que queremos a vistoria e a desapropriação da terra, que foi maquiada, mas é improdutiva”.

 

Para Somariva, a ordem de despejo teria influência, inclusive, do Governo do Estado. Ele acredita que não é certo que os fazendeiros possam influenciar a decisão do Poder Judiciário, sobremaneira quando a decisão “não caberia ao Estado”. O coordenador denuncia ainda que mais de 30 homens armados estavam entre os PMs no dia da reintegração. Os homens, diz Daniel, seriam trabalhadores da fazenda.

 

Agora há pouco, às 10 horas, começou uma reunião na Câmara de Vereadores de Japaratuba para discutir o assunto. Lá, estão presentes manifestantes das região de Jaopoatã, Propriá e outras cidades que possuem acampamentos do MST.

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