Usina Nuclear trará empregos e geração de renda – Albano Franco

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Enumero algumas justificativas pelas quais defendo a instalação de uma central termonuclear em Sergipe, a ser localizada na região de Canindé do São Francisco:

1 – Em face do esgotamento do potencial hidroelétrico do Nordeste, especialmente do rio São Francisco, o governo federal projetou a instalação de 2 (duas) centrais termonucleares para a região nordestina, sendo que a primeira deverá ser edificada no Baixo São Francisco, ou seja, num ponto a ser definido próximo à margem do rio em Sergipe ou Alagoas, caso essa definição seja pautada por postulados técnicos. Em outras palavras: o Estado de Sergipe (seguido por Alagoas) é o que apresenta as melhores condições técnicas e econômicas para a instalação dessa central porque, além da água de boa qualidade, conta com as linhas de transmissão já construídas, tem também a seu favor a Usina de Xingó nas proximidades para o estabelecimento de futuros balanceamentos energéticos, e outras economias externas como sistemas de transporte e comunicações estando, ainda, a meio caminho entre os grandes centros consumidores como Salvador, Recife, Maceió e Aracaju.

2 – Trata-se de um investimento superior a 4 bilhões de dólares que irá gerar grande quantidade de empregos diretos e indiretos com impactos altamente positivos sobre a renda, proporcionando, também, expressivo volume de novas receitas para os poderes públicos municipal e estadual. Além do desenvolvimento econômico e social que irá promover, sobretudo nas áreas turística e industrial com a instalação de novos empreendimentos numa região reconhecidamente carente, há que se considerar o desenvolvimento científico e tecnológico que um projeto dessa natureza proporciona em função da avançada tecnologia que utiliza, desencadeando uma série de demandas às nossas instituições de ensino superior.

3 – Atualmente reconhecida como energia limpa, isto é, não poluidora, por mais de 120 países que recentemente se reuniram em Bancoc para encaminhar soluções com vistas a reduzir o aquecimento global do planeta, a energia nuclear foi eleita como uma alternativa às fontes fósseis emissoras de CO2 (dióxido de carbono) como o carvão, petróleo e gás natural, que presentemente respondem por 38% da energia gerada no mundo, e são as maiores responsáveis pelas mudanças climáticas advindas do chamado efeito estufa.

A propósito, vale aqui mencionar a declaração do ambientalista Patrick Moore, fundador do Grenpeace, em defesa da energia nuclear, por se tratar de uma fonte não poluente e ambientalmente segura. Segundo Moore, as atuais reações contrárias ao uso pacífico da energia nuclear não fazem nenhum sentido, para ele são ainda resquícios da guerra fria há muito sepultada.

4 – Com relação ao fator segurança as centrais nucleares são indiscutivelmente seguras e seguem um padrão internacional estabelecido pela Agência Internacional de Energia Atômica, órgão da ONU, que monitora o funcionamento das 442 centrais nucleares ora em operação no mundo. A França, por exemplo, já tem 79% da sua eletricidade proveniente de fontes nucleares. A China, o país que mais cresce no mundo, projetou para construir 30 usinas até 2020. Já o Brasil, no âmbito dos países emergentes, é que menos desenvolveu seu potencial nuclear, apesar contar com sexta maior reserva de urânio do mundo. Embora tardiamente, foi extremamente positiva a recente decisão do Presidente Lula em retomar o programa nuclear brasileiro com a construção de Angra-III e a instalação de uma usina no Nordeste, cuja localização deverá ser definida nos próximos meses.

5 – Uma questão que se coloca quando se fala em energia nuclear é o tal do lixo atômico que, na verdade, não se trata de lixo na acepção que esta palavra encerra, mas, rejeitos cuidadosamente incinerados ou acondicionados em depósitos e piscinas que são supervisionados pela citada Agência de Energia Atômica.

Costuma-se também citar o acidente de Chernobyl como exemplo do perigo da energia nuclear. Esta ocorrência, há mais de vinte anos, se deu pelo fato daquela usina não ter sido construída obedecendo aos padrões de segurança da época. De lá para cá a tecnologia evoluiu consideravelmente e praticamente não se registrou qualquer acidente de monta em centrais nucleares. Recentemente, um forte terremoto no Japão casou danos a uma central nuclear, aliás, considerada a maior do mundo, sem que houvesse maiores conseqüências ao meio ambiente e à população. Convém mencionar que grande parte da energia elétrica do Japão é proveniente de centrais nucleares.

6 – Finalmente, será de transcendental importância que haja uma mobilização política das nossas autoridades para que esta central nuclear seja implantada em Sergipe. Não bastam apenas os requisitos técnicos e econômicos de que o nosso Estado dispõe, pois como sabemos, o peso e o interesse político são ainda fatores decisivos no Brasil a fim de carrear para determinado estado investimentos dessa monta. E o tempo urge. Com certeza Pernambuco (que tem um ministro interessado) e nosso vizinho Alagoas, estão trabalhando com essa finalidade. Será, pois, fundamental que a sociedade sergipana, liderada pelo governador, entre nessa luta.  

Autor: Albano Franco (deputado federal)

Debate : Prós e contras de uma Usina Nuclear no Estado

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