Usuários reclamam de atrasos de ônibus; algumas linhas demoram mais de uma hora

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Passageiros esperam até mais de uma hora por ônibus
Além das reclamações concernentes à situação dos terminais, do tratamento dispensado pelos motoristas aos passageiros e das condições dos veículos, utilizar ônibus em Aracaju, exige um pré-requisito importante: paciência.

Pelo menos esse é o consenso entre usuários do terminal do Distrito Industrial de Aracaju (D.I.A.), entrevistados pelo Portal Infonet, quando questionados sobre o tempo de espera por ônibus. Muitos relataram que chegam a aguardar entre 20 minutos e até mais de uma hora.

As linhas Sanatório/D.I.A; Aquárius/D.I.A; Circular Cidade 02; Inácio Barbosa/D.I.A; Santa Lúcia/Rio de Janeiro; ou localidades como o Santa Maria, Mosqueiro e Aruana, são rapidamente apontadas pelos usuários como exemplos adequados da demora.

Diariamente a estudante Isabel da Cruz, 25, utiliza a linha Circular Cidade 02 para dirigir-se de onde mora, na Zona Sul da cidade, à faculdade. “Quando volto da aula à noite, se não 

Isabel diz que atrasos ocorrem em todos os horários
pego o ônibus de 22h10, só lá paras 23h é que vem passar outro. Mas essa regra não se aplica apenas ao horário de pico. Se o motorista estiver atrasado, ele para do lado oposto do terminal, deixa os passageiros e passa direto pelo ponto”, reclama.

A funcionária pública Maria Nazaré de Jesus, 46, acredita ser mal vista por funcionários das empresas por reclamar diariamente do tempo de espera por um ônibus. “Eu acho que até já me reconhecem quando eu vou criticar, mas realmente é uma falta de respeito. Eu fico tão indignada, a ponto de enfartar!”, diz. Ela mora no Santa Maria e usa os ônibus saindo deste bairro para o conjunto Santa Lúcia, onde faz parte de um grupo de estudos para concursos públicos.

“Espero aqui no D.I.A. mais de 40 minutos pelo ônibus da linha Santa Lúcia/Rio de Janeiro. Outro dia, voltando de lá, cansei de aguardar e fui a pé até a avenida Tancredo Neves pra pegar outra marinete”, conta. Já com relação ao bairro onde reside, ela revela que a espera é ainda maior, chegando a mais de uma hora. A situação, segundo ela, piora depois das 21h. “A partir desse horário, só uma linha fica disponível e às vezes temos que esperar pelo último ônibus, que só passa à meia-noite”, diz.

Situação piora aos fins-de-semana

Também moradoras do Santa Maria, a operadora de caixa Lucivânia Ferreira e a sogra, Maria Aparecida, 54,  classificam a situação de esperar por um ônibus como uma “tremenda dor de

Maria Nazaré reclama das linhas que circulam no Santa Maria
cabeça”. Lucivânia acrescenta, ainda, que aos fins de semana ou feriados, quando precisa trabalhar, espera uma hora e meia por um ônibus. “Eu tenho que chegar ao supermercado às 6h30, aí vou pro ponto às 4h30 porque se não for assim, chego atrasada”, reclama.

Já Maria Aparecida diz que às vezes prefere pagar R$ 2 para se deslocar em táxi-lotação. “Eu mesmo prefiro pagar mais caro do que esperar, mas quando tenho vale-transporte sou obrigada a pegar o ônibus”, diz.

Os táxi-lotação, inclusive, segundo relato das moradoras, são preferidos porque circulam por todas as áreas do bairro, diferente dos ônibus. “A depender do horário, eles nem fazem todo o percurso, voltando, às vezes, da metade do trajeto”, acrescenta Lucivânia. Moradores de áreas como a Ponta da Asa e nas imediações do novo presídio são os que mais sofrem com tal problema.

Zona Sul

No bairro Mosqueiro, as circunstâncias não são diferentes. A técnica em edificações Kátia Almeida, 28, relata que além das péssimas condições dos ônibus, o atraso gera uma combinação nada agradável. A espera mínima, a depender da linha, é de 20 minutos. “Os ônibus que circulam 

Lucivânia acorda às 4h30, aos fins de semana, para não se atrasar. Maria Aparecida diz que prefere táxi-lotação
pela praia, mais novos, passam num período de tempo mais curto; já os que trafegam na Rodovia dos Naufrágos, demoram de 40 minutos a uma hora pra passar”, revela.

Quando questionados, motoristas e cobradores dão poucas justificativas. “Eles põem a culpa na quantidade de ônibus ou dizem que o atraso se deve à quebra de algum veículo”, diz Kátia. 

O estudante Bruno Viard, 20, mora na Aruana e diz que duas linhas circulam pela área. De acordo com ele cerca de quatro ônibus ficam disponíveis na linha Aquárius/D.I.A – a que utiliza com maior freqüência – no horário de pico, e apenas dois em horários normais.  “Os ônibus passam, durante a semana, de 30 e 30 minutos em média, mas aos fins de semana chegam a demorar até uma hora e meia”, conta.

SMTT intensificará fiscalização

O diretor de transporte público da Superintendência Municipal de Transporte e Trânsito (SMTT),

Orlando Vieira (Foto: Alejandro Zambrana)
Orlando Sérgio, reconhece que o problema de atrasos é real e diz que o órgão já está implementando medidas de fiscalização. “Algumas linhas apresentam problemas na frota, principalmente quebra de veículos. Nesse sentido, nós autuamos aplicando multas e recolhendo os veículos”, explica.

A distribuição de ônibus por linhas é calculada levando em consideração o número de passageiros, a demanda da linha, a ocupação e o tempo necessário para o cumprimento do trajeto. “Cada viagem não realizada por um ônibus chega a acumular 80 passageiros para o próximo veículo, é nisso que trabalhamos para que não aconteça”, esclarece.

De acordo com Sérgio, a SMTT está testando um sistema de acompanhamento dos ônibus via GPS, medida que promete reduzir os atrasos. “Nós pretendemos implantar a tecnologia até o fim do mês de agosto e aliar essa ferramenta à fiscalização on-line e à bilhetagem eletrônica, que também dá suporte nesse sentido”, diz. Ele acrescenta que há equipes da SMTT fazendo fiscalização volante, além do acompanhamento direto nos terminais. Os passageiros podem denunciar atrasos através da Ouvidoria da SMTT, pelo telefone 3238-4646.

Por Diógenes de Souza e Raquel Almeida

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