VI Festival de Artes de São Cristóvão começa hoje

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O VI Festival de Artes de São Cristóvão – Fasc -, durante alguns anos, foi um evento que atraiu número incontável de visitantes a uma das cidades mais velhas do país. O evento, que foi realizado pela primeira vez em 1972 pela Universidade Federal de Sergipe – UFS -, era para estar na sua 30ª edição. Mas, desde que passou à administração da Prefeitura de São Cristóvão, o Fasc tem sido alvo de diversas críticas dos sergipanos e principalmente da Imprensa local, por privilegiar – até a edição passada – grupos populares como Harmonia do Samba, que nada têm a ver com a cultura e o folclore sergipano. De qualquer modo, a Prefeitura teve boa vontade, pegou a bandeira das mãos da UFS e vem realizando o Festival como as suas finanças suportam. Este ano, o Festival homenageia a professora Lu Spinelli, um dos destaques locais da dança sergipana, assim como a pioneira Dorinha Teixeira, além de Moema Maynard, Célia Duarte, dentre outras. Como atrações de fim de noite do Festival, os cantores João Bosco, Biafra e Antônio Carlos e Jocafi. De hoje, dia 13, a domingo, dia 15, o Fasc promete iluminar o calendário cultural da cidade e do Estado. O organizador do evento, Maurício Pimentel, falou com exclusividade ao Portal InfoNet sobre a nova proposta do Festival. PORTAL INFONET – O que mudou desde a criação do Festival de Artes de São Cristóvão? MAURÍCIO PIMENTEL – O Festival foi criado com dois objetivos: expressão da arte em todos os setores e também como um protesto, subliminarmente falando, de uma geração que estava abaixo da Ditadura e tinha poucos espaços para desenvolver suas idéias e usava a arte e a veia artística como um desabafo de contrapor a tudo o que estava errado na concepção deles de Ditadura. O Festival de Arte tinha essa característica: de desenvolver um trabalho artístico e ao mesmo tempo de protesto. Ele levou 23 anos dessa forma. Em 1992 foi realizado o último Festival, permanecendo estagnado até 1996. Nesses quatro anos não havia espaço para os grupos folclóricos, para a dança, teatro, para a música sergipana e nacional, para o intercâmbio cultural de artistas. Sergipe, que é um exemplo nessa área de divulgação cultural, passou a ficar com este vácuo. PI – Por que o Fasc ficou este tempo todo sem ser realizado? MP – Porque a administração anterior à do prefeito Armando Batalha não tinha interesse em dar continuidade ao Festival. Esta é a sexta versão desde que assuminos. PI – Fale dessa nova fase do Festival. MP – A nova fase do Festival começou em 1997, com o objetivo de voltar a dar oportunidades para uma nova geração de artistas sergipanos e promover um encontro de experiências entre os antigos artistas. O Festival hoje é uma mesclagem do novo com o antigo, que é justamente toda esta panela cultural que nós temos aqui no Estado de Sergipe, no Nordeste e, quiçá no Brasil. Estamos na sexta edição dessa nova fase. Eu tenho certeza de que hoje o Festival já se consolidou. Apesar de algumas críticas que estão acontecendo, hoje já é realmente motivo de alegria, porque o Festival voltou a ser o centro das atenções culturais de Sergipe, tanto em nível de críticas positivas, quanto negativas. Nós estamos preparados para tudo e temos certeza de que hoje o Festival tem outra realidade. PI – Diante dessas críticas, é válido pensar que o Festival fugiu de suas características primordiais? MP – Geralmente as pessoas que estão falando isso são pessoas que não foram ver essa nova fase. É interessante você comparar as coisas quando só se conhece um lado. Recentemente teve uma reportagem com alguns pilares da cultura sergipana e eles colocaram que o Festival não era a mesma coisa. Eu liguei e constatei que eles não foram nenhum dia para o Festival. Eu posso mostrar e tenho provas fotográficas, onde é possível ver a dança, o teatro, o artista plástico, o artesanato acontecendo, a música. Em todos os setores da arte e do folclore existem representantes, além do público, que é excepcional no Festival de Arte, que conta com uma nova geração que estava impregnada com este modismo da música baiana – como o axé e o pagode – e que hoje estão podendo ver coisas fantásticas. Tivemos recentemente o Cordel do Fogo Encantado – que lotou o teatro -, o Quinteto Violado, o Mestre Ambrósio – que veio pela primeira vez em Sergipe, trazido pelo Festival de Arte -. Hoje estamos notando uma mudança em relação à cabeça da juventude, valorizando mais a arte, a cultura e o nosso folclore. Quem fala mal do Festival de Arte não tem ido lá, não conhece e não está entendendo a proposta, porque se baseia na programação para falar mal. O Festival hoje é completo. O que precisa é que esses críticos – e eu não tenho problemas com críticos, porque a crítica só me faz crescer – pelo menos apareçam por lá, conheçam e passem três dias enfornados no Festival de Arte, para depois informarem se gostaram ou não. Criticar sem conhecer é de uma irracionalidade e falta de sensibilidade muito grande. Mais informações pelos telefones (0xx79) 261-2835 / 213-7652.

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