Votar nulo é opção?

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“O congresso virou lixeira. Para dedetizar, vote nulo”.  A frase estava inscrita em uma cadeira de rodas de uma carioca que andava pelo Largo do Machado, no Rio de Janeiro. Veiculada no jornal “O Globo”, a imagem estava na coluna do jornalista Ancelmo Góis e ilustrava uma pesquisa do CNI/Ibope que mostra que 12% dos brasileiros estão dispostos a anular seus votos nessas eleições.

 

O resultado só vem indicando uma alternativa que parece forte entre a maioria dos eleitores e que ganhou respaldo com a “Campanha do Voto Nulo”. Segundo artigo de Elisee Reclus, “votar significa abrir mão do próprio poder. Eleger um senhor, ou muitos senhores, seja por longo ou curto prazo, significa entregar a uma outra pessoa a própria liberdade. (…) São pessoas que colocamos “acima” de todas as leis, já que são elas que as fazem, cabendo-lhes, nesta condição, a tarefa de verificar se estão sendo obedecidas. Votar é uma idiotice”.

 

Há quem discorde. Para grande parte dos políticos, a anulação do voto significa perder a chance de ir para o plenário das Casas Legislativas e Executivas. No final das contas, nem sempre vence quem tem maioria dos votos, mas quem está nos partidos mais fortes.

 

Força das legendas – Esse foi o caso de Pedrinho Valadares, que em 2002 foi considerado o terceiro candidato a deputado federal mais votado em Sergipe, mas não se elegeu por causa da legenda. Mesmo com 63.704 votos, o político do PSB ficou em Sergipe justamente por causa do partido. Até mesmo o deputado João Fontes, na época do  PT, foi para Brasília com 28.305 votos.

 

E é justamente Fontes quem discorda da anulação do voto. Agora no PDT, ele acredita que acha “ridículo anular voto. Essa não é o melhor caminho para a política brasileira. Se prega a anulação apenas para privilegiar quem compra voto, os políticos mais ricos. Essa é uma campanha descabida e não podemos esquecer que o Congresso têm deputados e senadores que são sérios”.

 

No ano passado, o deputado Bosco Costa concordou, em uma entrevista ao jornalista Eugênio Nascimento, que a imagem do político está cada vez mais desgastada. “A sociedade deve votar no sentido de escolher o menos ruim. O eleitor tem direito ao voto branco e nulo, o que é uma forma de manifestar o descontentamento. Com o fim da obrigatoriedade do voto, uma minoria iria às urnas, mas os candidatos seriam eleitos de qualquer forma”.

 

Alguma coisa errada? – Muitos eleitores, entretanto, ainda não sabem qual a real diferença entre votar nulo ou votar em branco. O voto em branco é muitas vezes a primeira opção dos eleitores, já que está um pouco mais “à mostra” – até ganhou uma tecla de opção na urna eletrônica. Já o voto nulo costuma permanecer exilado nas eleições.

 

Para se anular o voto, o eleitor deve digitar um número inexistente na urna eletrônica. Ao fazer isso, a tela mostrará o aviso “número errado” e solicita que seja confirmado o voto para que o mesmo seja anulado. A grande diferença entre as duas modalidades é que quem vota branco não está deixando de votar, apenas destina sua escolha a quem estiver na frente.

 

Os votos em branco são acrescentados ao candidato que obtiver maior índice de votação. Isso significa que se cerca de 3% da população votar em branco, 50% no candidato A, 40% no candidato B e 7% nulo, os 3% dos votos em branco serão direcionados para o candidato A, já os 7% não serão agregados a nenhum candidato.

 

Esse é o gancho para a campanha da anulação de voto: a anulação seria uma mostra de que o eleitor não está satisfeito com nenhum dos candidatos, ou seja, é como se nenhuma das opções de candidatos fossem boas o suficiente. Em 2004, dois grupos que se destacaram pela Campanha do voto Nulo foram o Ação Libertária e o Manifesto Nacional Unificado pelo Voto Nulo.

 

Blogs – O PhD Idelber Avelar, do blog O Biscoito fino e a massa, é um dos que entraram na discussão do voto nulo. Ele, a cientista política Lucia Hippolito e o jornalista Ricardo Noblat. Nos seus blogs, estão amplos debates sobre o assunto. Isso não significa, entretanto, que suas opiniões sejam a favor da anulação.

 

Avelar, por exemplo, escreve: “Não me cobrem, por favor, que eu saiba de antemão o que se conseguiria com uma acachapante, escandalosa porcentagem de votos nulos em 2006. Não sei. Mas uma multidão votando nulo de forma organizada pode produzir algum movimento. Caso você seja contra, por favor poupe-me do clichê de que é importante votar em Lula para que a ‘direita’ não volte ao poder. A direita está no poder. Se for criticar a iniciativa, eu sou todo ouvidos (ainda estou tomando minha decisão), mas apresente um argumento mais inteligente”.

 

No meio de tantos escândalos políticos, a discussão é plausível. Durante o caminho, vão aparecendo aqueles que defendem uma posição mais extrema, enquanto outros já têm um candidato em mente. O importante é que cada eleitor estude bem o cenário político antes de tomar sua decisão.

 

Por Wilame Amorim Lima

Da Redação do Portal InfoNet

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