A arte metafísica de Willy Valenzuela

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Nascido no Chile, o escultor Willy Valenzuela chegou ao Brasil aos oito anos de idade. Em 1989 mudou-se para Aracaju, onde começou confeccionando jóias até se envolver com as artes plásticas e iniciar sua trajetória como escultor. Suas obras, já bastante conhecidas em Sergipe, seguem uma tendência de observar a escultura por dentro, propondo uma visão mais contemporânea da escultura. Algumas de suas obras estão em permanente exposição, como o monumento em homenagem à imprensa sergipana, localizado na Praça da Imprensa; uma estátua de Tobias Barreto, no município de Tobias Barreto; e outra de Nossa Senhora Santana, em Boquim. A convite de arquitetos, participou por duas vezes, em 1998 e 1999, do evento de decoração Casa Cor, realizado em Salvador e em 2000, da versão local do evento, denominada Casa Aracaju. Sergipe Cultural – Quando você começou a tomar gosto pelas artes? Willy Valenzuela – Desde criança, sempre fui muito inquieto, sempre tive muita criatividade. Fazia algumas esculturas, mas apenas de brincadeira. A coisa ficou séria, profissional, só após meus 27 anos de idade, quando ocorreu uma revolução muito grande em minha vida. Até então eu me dedicava à pintura. Tenho cerca de 8 mil trabalhos de pintura mas, fui descobrindo aos poucos que o material produzido por mim tinha uma conotação metafísica, porque eu era metafísico em essência. Isso foi se tornando cada vez mais presente em minhas obras, as curvas, essa coisa ‘atemporal’. Elas são meio ‘Pompéia’, meio ‘futuro’, meio ‘egípcias’, relembram alguma coisa, mas se você analisar de perto, não consegue identificar. Aí está o encanto de minhas obras e meu perfil artístico. SC – O que representa, dentro de sua arte, o fato de você trabalhar com uma grande diversidade de materiais, desde sabão a ferro? WV – Utilizo essa diversidade para ser contemporâneo. Além disso, tenho a necessidade de ver a minha obra por dentro. Podemos notar bem, em algumas peças, que o ferro fica exposto. Na medida em que meu trabalho amadurece, encaro essa maturidade na busca do novo, porque senão acabarei fazendo o mesmo sempre – as pessoas vão se cansar e eu também. Foi assim que aconteceu com o meu trabalho com as jóias, não que eu esteja descartando as jóias, elas irão voltar com outras características. Por enquanto, estou encantado com a escultura e quero demonstrar meu universo, tanto no macro como no micro, nessa área. Faço peças de 15 metros e de 15 milímetros da mesma forma. SC – Na exposição ‘Holografia Pensamental’, realizada no Espaço Cultural Yázigi Internexus, você realiza alguns trabalhos de contextualização da peça, por exemplo, uma de suas obras emerge de uma areia. O que significa? WV – Existe todo um trabalho de performance da peça, ou seja, como eu a concebi inicialmente. Esse é um artifício na montagem da exposição para que se crie a atmosfera da peça. No exemplo, quando a idealizei, ela saía da areia e não de um piso qualquer. SC – Existe alguma outra exposição já programada? WV – Fazer uma exposição é muito estressante, é muita adrenalina. No momento eu quero parar um pouco para relaxar, pois realizei duas recentemente. Além disso, estou concluindo um trabalho enorme. Esse final de ano não pretendo fazer muita coisa, a não ser alguma obra pública. SC – Quais são seus planos para o futuro? WV – Continuo com as esculturas, mas quero explorar mais ferro, papel, plástico, resina, fibra, uma coisa mais contemporânea. Ir para outros extremos de materiais procurando manter o meu trabalho e o meu traço de escultor. Contatos com Willy Valenzuela pelos telefones (0xx79) 247-1594 ou 9991-6814. Por Waneska Cipriano

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