“A Bahia não é só axé”

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“A Bahia não tem só axé”, lembra a cantora Simone Sampaio. Há algum tempo, a artista simplesmente estourou em Sergipe, mas tamanho sucesso é fruto de muito trabalho e esforço. Simone traz para seus shows um ritmo que, apesar de não estar tão difundido em Salvador quanto o axé, traz um pouco do espírito baiano de ser: uma apresentação recheada de simpatia, alegria e muita humildade. Com esses ingredientes, a cantora conseguiu levar cerca de 18 mil pessoas que estavam na Odonto Fantasy ao mundo da música eletrônica.

 

Confira a entrevista exclusiva da cantora ao Portal InfoNet.

 

PORTAL INFONET – O que você acha da receptividade do público aracajuano em relação ao estilo dance music?

Simone Sampaio – Eu já tinha muita vontade de vir a Aracaju mas outros compromissos não me deixavam, até que recebemos o convite para tocarmos no Tequila e logo depois na Odonto. Eu fiquei surpresa com a receptividade das pessoas até porque muitas delas não me conheciam, e felicíssima em saber que aqui em Aracaju as pessoas estão abertas para um outro estilo musical que vem da Bahia que não é só axé.

 

INFONET – O que podemos esperar do seu primeiro CD?

SS – O CD já está sendo prensado, foi gravado no Canto da Cidade e a Daniella (Mercury) foi muito legal comigo em ceder o estúdio dela para a gente gravar lá. Este é um CD 100% autoral, com muito dance.

 

INFONET – E axé?

SS – Não, axé não. Tem uma música que talvez seja uma homenagem à Bahia, com uma participação do Ileaiê, mas mesmo assim, ela tem toda uma história de eletrônica por trás, de dance music.

 

INFONET – E a Odonto, o que achou do seu primeiro show na festa?

SS – Pude perceber uma criatividade muito grande do pessoal daqui.  O show rendeu bastante: deu uma certa esfriada no meio, mas eu senti que foi porque começou o show de Durval (Asa de Águia), mas achei bacana porque depois a galera voltou. A galera foi lá, curtiu um pouco do show dele e voltou.

 

INFONET – Como você decide quais músicas entrarão no repertório de seus shows?

SS – Eu preciso gostar da música, aí eu levo para o show. Se eu sentir que o público não gostou, tiro, porque eu também não vou ficar enchendo lingüiça no palco. Primeiro, tem que ser um show dançante, que não perca muito o pique. Tem que ter músicas nacionais e internacionais, embora encontrar dance music nacional seja difícil, por isso estou compondo no estilo agora. A gente ouve falar muito da dance music no Brasil, mas é aquela coisa muito suave e minha intenção de fazer dance no Brasil é fazer dance porrada.

 

INFONET – Você possui um bloco carnavalesco em Salvador só com música eletrônica. Como foi a aceitação?

SS – Para minha surpresa, coloquei no ano passado algumas coisas da Daniella, da Ivete: recebemos vários e-mails dizendo, ‘Simone, a gente não quer axé, a gente quer que você toque dance mesmo’.

 

INFONET – Está sendo difícil conquistar o público com um estilo de música ainda não tão difundido entre alguns Estados do Nordeste?

SS – Eu não estou na mídia de uma forma constante, eu não estou em grandes programas nacionais de televisão, e mesmo assim, as pessoas gostam do meu trabalho, estão curtindo e isso pra mim é um começo de formação de público, porque foi assim que eu comecei em Salvador e é assim que eu estou começando em outros Estados, inclusive em São Paulo.

 

INFONET – Você tem um grande carinho pelos artistas que fazem axé, mesmo não cantando o ritmo. Por quê?

SS – Tem espaço para tudo em nosso Brasil e as pessoas precisam ter conhecimento desses artistas. Eu tenho um grande respeito por quem faz o axé, porque eles também têm uma grande trajetória, eles ralaram muito. Porém, é preciso saber que a Bahia não é só axé, a Bahia tem rock and roll, taí a Pitty, por exemplo. Eu, graças a Deus já tenho um público muito grande em Salvador e estou conquistando aqui também, então eu acho assim: Aracaju é uma cidade muito moderna, os jovens daqui são muito modernos. Acho que eles podem receber quaisquer artistas, seja de Salvador, seja do Brasil.

 

Por Wilame Lima

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