A cultura das tradições juninas sob o olhar de um apaixonado por ímãs de geladeira

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Por onde quer que vá, ele encontra pessoas que lhe expressam algum tipo de carinho. Mães, pais, tios, avós, filhos, crianças. Todos assistem ao programa deste apaixonado por ímã de geladeira que sente nunca ter dançado em uma quadrilha junina. Seu nome, Antônio Valadão, um dos comunicadores mais expressivos e carismáticos do Estado de Sergipe. Para ele a cultura fala mais alto. E a paixão por quadrilhas juninas não é recente. Desde quando aportou em Aracaju, a mais de 31 anos, Valadão vem mostrando gosto pela cultura, através da dança, do som da sandália de couro, do balé vestido de chita, do ritmo compassado do xaxado do anarriê, frutos da quadrilha caipira. Filho de família tradicional sergipana, Antônio Valadão nasceu no Rio de Janeiro e, aos 15 anos, chegou a Aracaju. Aos 17 iniciava sua carreira de comunicador no extinto Diário de Aracaju. Passou pela Gazeta de Sergipe e pelo Jornal Estado de Sergipe. Esteve em algumas revistas cíclicas. Na parte cultural, foi diretor do Clube de Cinema de Sergipe. Fez filme Super Oito. Entrou na Televisão por acaso. Seis casamentos. Cinco filhos. Um neto. Muitos admiradores. Um deles é o Dico, da Quadrilha junina Luiz Gonzaga. “Valadão é a pessoa mais importante neste meio. Ele é a pessoa que mais dá apoio às quadrilhas. Ainda hoje, assistindo ao programa dele, perguntaram o que não pode faltar no São João e queriam que ele respondesse que era a fogueira e ele respondeu que era a quadrilha junina, porque ele não vê o São João sem a quadrilha junina”, disse o quadrilheiro que minutos antes presenteou o apresentador com nada mais, nada menos que ímãs de geladeira em forma de sertanejos. Explicando o fato de preferir quadrilhas a fogueiras, Valadão afirma que gosta de ver fogos, mas, infelizmente, é alérgico a fumaça. “Fogueira, para mim, representa, primeiro, um desequilíbrio térmico. Eu trabalho com a voz. Eu passo os períodos de festas, seja São João, Carnaval, eu não bebo álcool nem nada gelado. Eu não posso ter choques térmicos. No mês de São João, se eu ficar na frente de uma fogueira representa que amanhã eu não trabalho, mas ficar na frente de uma quadrilha junina para mim é tudo: é arte, dança, musica, interpretação, teatro, amor, compreensão, cultura, tudo”, diz Valadão, que, apaixonado por quadrilhas juninas, não perde a oportunidade de falar, também, da Luiz Gonzaga. “Esta é uma quadrilha nova, do Augusto Franco, que tem dois anos e é a nova surpresa deste ano. O Dico é um garoto que eu sempre digo: é chatinho, mas ele é o folclorista do futuro, porque ele faz com amor e acredita no que faz. Nós ainda temos os resquícios do quadrilheiro que é aquele cara desempregado que quer ganhar dinheiro com quadrilha. É aquele cara que procura o político para ajudar, que quer viver às custas de projetos de governo. Mas existem também os quadrilheiros com ideologia por serem folcloristas. O Dico é um desses. É um menino que luta, que corre atrás, que não se faz com dinheiro de quadrilha. Veja. Eles trabalham para não pedir nada a ninguém. Eles foram, este ano, a Exu, Pernambuco, a terra onde nasceu Luiz Gonzaga. E foram fazendo bingos e pedágios, e não conseguiram ajuda, mas estão de parabéns. Eu sempre digo que o Dico é chatinho, mas a chatice dele é uma benção, porque eu tenho certeza que ele não é viciado no negativismo do folclore. Se todos fossem iguais a ele, a situação das quadrilhas seria melhor”, disse. Maracangaia faz a diferença Vila do Forró: do interior para a capital “Um profissional completo” “Os quadrilheiros pedem ajuda” Por Neila Santana

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