A dificuldade dos jovens em formar bandas

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O guitarrista e vocalista sergipano, Gabriel Almeida (Foto: arquivo pessoal)

Trocar os gibis e brinquedos por partituras e instrumentos musicais. Essa é uma substituição freqüente na vida de muitos garotos e garotas na adolescência, fase em que a identidade musical passa a ser formada. Com ídolos e referências na música, grande parte desses iniciantes passam a nutrir o sonho de formar uma banda para batalhar um lugar ao sol no showbizz, ou apenas passar o tempo.

 

A iniciação no meio musical está atrelada à formação da personalidade do adolescente, como defende a psicóloga Sheila Lima. “Os jovens entre doze e catorze anos de centros urbanos, por exemplo, adquirem um estilo de comportamento e muitos passam a fazer parte das chamadas ‘tribos urbanas’, grupos que tem a musicalidade como maior referência”, disse a psicóloga.

 

Estas tribos são os punks, os roqueiros, os pagodeiros, os emos, os micareteiros dentre outros. A identificação entre os parceiros e o bom convívio entre eles são fundamentais para uma banda, por isso a maioria delas começam entre colegas de escola, faculdade ou entre vizinhos.

 

Parceria

 

Gravação de vídeo acústico da Satori (Foto: Arquivo Pessoal)
Os parceiros certos são apontados como um dos pontos mais problemáticos por aspirantes a músicos. Estudante de Direito, o guitarrista Gabriel Almeida já teve passagem por quatro bandas e sofreu na pele essa dificuldade. “Um amigo meu veio até mim e falou pra gente montar uma banda, pra gente agitar as festinhas da escola e tal. Mas éramos dois bateristas e três guitarristas, nenhum baixista nem vocalista. Aí não deu. Outras vez, ingressei em um grupo, a galera não levava os ensaios a sério e também caí fora”, revelou Gabriel que atualmente é guitarrista e vocalista na banda Satori.

 

Quem leva a música a sério e pretende se sustentar através dela percorre um longo trajeto da garagem aos palcos de shows. O início abrange, dentre várias situações, tocar em festinhas de debutantes, grande alvo de bandas iniciantes. Festivais dedicados às bandas anônimas também são um grande passo à profissionalização, como os que ocorrem no aracajuano ATPN.

 

 

Internet como aliada

 

Os rapazes da NX Zero: inicio na internet
Em tempos de cultura globalizada, o meio virtual se apresenta como grande parceiro de quem inicia na música. No badalado site de relacionamentos Orkut, são milhares de comunidades dedicadas àqueles que querem montar uma banda. Nelas, os usuários podem fazer contatos e procurar por parceiros que estejam com a mesma vontade de tocar, em uma espécie de ‘classificados virtual’.

 

A internet também pode representar a alavanca para o sucesso. São diversos endereços eletrônicos que permitem divulgação e downloads de canções e clipes de cantores, grupos e bandas desconhecidos do grande público. A banda NX Zero, por exemplo, ‘estourou’ dessa forma. Antes de irem a programas de TV e de seu primeiro sucesso, “Além de Mim’, tocar nas rádios, o grupo já era conhecido do público que curte este tipo de som através do espaço virtual.

 

Duelo com os pais

 

Psicóloga Sheila Lima defende acordo entre pais e filhos músicos
As famílias são apontadas como grandes adversárias por estes jovens. O excesso na dedicação dos filhos à música preocupam os pais em relação ao empenho escolar dos mesmos e acabam desestimulando-os, como é o caso de Lilá Amaral, que afirma já ter tido o cavaquinho escondido pela mãe que não queria saber da filha tocando com grupo de pagode.

 

 

A psicóloga Sheila Lima afirma que o diálogo e um acordo entre pais e filhos funcionam melhor que atitudes autoritárias nessas situações. “Os pais devem compreender que nessa idade é saudável que os adolescentes mantenham atividades prazerosas como tocar instrumentos, assim como os filhos não podem esquecer das suas obrigações. O ideal seria procurar uma harmonia entre estudos e música”, sugere.

 

A psicóloga ainda alerta que pais e mães precisam compreender que pode se tratar apenas de uma fase, não significando que o adolescente irá seguir uma carreira artística por isso reforçando a idéia de que os pais devem ser os primeiros fãs na carreira, mesmo que instantânea, de seus filhos.

 

Por Glauco Vinícius e Raquel Almeida

 

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