Abuso ou necessidade? – por Gustavo Aragão

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Viam-se os piscas-alerta dos carros e motos gritando de agonia em plena BR101, por volta das 19h50min. Seria um acidente tenebroso? Nada. Era algo pior que isso. Via-se ali uma verdadeira demonstração de desumanidade, como tantas outras que costumamos ver em noticiários todos os dias. Não consegui entender até agora se foi por necessidade aquela imensurável vilania.

No meio da pista estava uma camioneta da Polícia Rodoviária Federal, de placa IAG 7453, interrompendo o fluxo da rodovia, quando saíram dois policiais fardados que sacaram o revólver como a intervir numa ação criminosa. Eis que cometem um crime para a surpresa de todos. Um crime que impregnava cada espectador, com toda certeza, do senso de revolta e da sensação odiosa da impunidade. Via-se agitar de agonia, andando de um lado a outro do acostamento um indefeso potro, que era alvo da crueldade desmedida de alguns agentes que se acharam no direito de interromper um ciclo de vida natural. Uma barbaridade! Como puderam fazer aquilo à frente de tantas testemunhas das mais diferentes idades? Viam-se crianças cobrindo os rostos numa tentativa de refugiar-se de tamanha barbaridade. Um absurdo! E se fosse um pobre homem que o tivesse feito também de modo gratuito? Seria ele preso por crime inafiançável ou sairia na camioneta como se nada tivesse feito?

Pensei que a Polícia devesse ser um exemplo de segurança e justiça a ser seguida, que poderíamos nos sentir guardados com a presença dela. Mas como? Se alguns policiais fazem questão de manchar a corporação que representam. Matam um cavalinho indefeso feito um dragão assustador e aniquilador de homens justos, cidadãos de bem. Onde está o senso dessas pessoas que se dizem as poderosas e as interventoras da sociedade em busca do bem-estar e da segurança do povo?

Mais fácil foi alvejar um potro com mais de 4 tiros, sem nenhum critério, vê-lo cambalear para a morte, interromper o fluxo de uma BR federal para ter espectadores do que tanger o potro para a mata ou buscar um carro rebocador de animais. Quem vai sentir a falta de um cavalinho desses, não é mesmo, policiais? Em vez de dar exemplos nos enchem de indignação. Um absurdo! Autoridades, até quando teremos essa violência gratuita e impune?

O corpo do cavalo ainda encontra-se lá jogado no acostamento, o abandonaram ali mesmo, pouco depois do posto da PRF. É um molambo. Se o intuito era tirar o potro da área da rodovia, então, que reboquem o cavalinho dali, coitado.

Esses têm sido dois dos piores males que mancham a sociedade brasileira: a violência gratuita e a sensação de impunidade. Precisamos de leis mais rígidas e de pessoas mais replenas de humanidade.

Por Gustavo Aragão Cardoso

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