Afro Bumbada leva história de Angola para o carnaval de rua de Aracaju

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Cartaz do desfile do Afro Bumbada
“Vou falar de Angola” é com esse tema que o bloco carnavalesco Afro Bumbada vai tomar as ruas de Aracaju neste carnaval de 2 a 4 de fevereiro. O tema traz um apelo para que a sociedade olhe com outros olhos para a riqueza deste país africano tão sofrido e para a cultura africana. Por outro lado a idéia do grupo é encher de alegria as ruas da cidade nos festejos de Momo.

 

O bloco Afro Bumbada, um dos projetos da ONG Criliber, nasceu em 1982 e foi testemunha dos tempos áureos vividos pelos blocos de ruas da capital sergipana. A iniciativa surgiu por acaso, meio como uma brincadeira de menino nas ladeiras da rua Riachão, no bairro Cirurgia, na região chamada de comunidade Maloca, que recebeu recentemente o título de primeiro quilombo urbano do Brasil. No princípio, latas de leite improvisavam tambores e faziam a animação de velhos, adultos e crianças que não tinham a opção de pular o Carnaval nos tradicionais clubes da cidade.

 

Camisa do bloco para este ano
Na tentativa de resgatar esses festejos de rua, este ano foi recriada a Liga dos Blocos, com o objetivo de que os governos estadual e municipais repassem recursos para os blocos, uma manifestação que tenta resistir desde o início dos anos 90 quando parou de receber incentivos públicos. Ajuda esta que não está garantida, mas pelo que parece isso não vai ser empecilho para deixar de fora blocos como o Afro Bumbada.

 

“Mesmo com a pequena estrutura que a gente tem, vamos sair. A gente sempre sai, independente de recursos. Como sempre fizemos”, conta Luiz Bonfim, diretor do Criliber. “Se não tiver o recurso, a gente vai para rua, mas sem a estrutura que nós almejamos”, lamenta.

 

Bons tempos…

 

Indumentárias africanas, carros alegóricos, alas com temáticas diversas e uma banda com mais de 26 músicos é parte da estrutura pensada para este ano, a fim de resgatar o auge do bloco vivido

Luiz Bonfim acredita que o Pré-Caju contribuiu para a decadência dos blocos de rua
nos anos oitenta quando ocorriam os glamurosos desfiles carnavalesco na avenida Barão de Maruim. Naquela época o Afro Bumbada, juntamente com o Bloco Quilombo, foi campeão do desfile durante anos seguidos.

 

“Nesse período o então prefeito disponibilizava um recurso para que a gente montasse nossas roupas, as alas, alugasse carros para servir de carros alegóricos… Depois que ele saiu o outro entendeu que a liga dos blocos estava desviando dinheiro e acabou com os desfiles dos blocos”, relata Bonfim. Desde então, a promessa de resgatar os velhos carnavais figura apenas nos discursos dos políticos em épocas de campanha eleitoral.

 

Falta de incentivo

 

De dois anos para cá, o incentivo dado aos blocos tem sido bastante tímido e não representa uma retomada dos festejos. “É necessário que os governos tenham responsabilidade com a cultura sergipana. Infelizmente não existe política cultural para o carnaval de Aracaju”, pontua Bonfim. E ele faz questão de frisar: “quem colaborou para destruir com o nosso Carnaval foi a invasão das bandas baianas, com o Pré-Caju”.

 

Cartaz do Femmunc
Tentativa de retomada

 

Dentro da programação pensada para está ano, será retomado o Festival da Maloca de Música Negra Criliber (Femmunc) onde será escolhida a música tema do Carnaval 2008. “Objetivo do festival é tanto estimular os nossos compositores, como expandir as nossas músicas de matrizes africanas. Este ano a letra deverá retratar o tema de Angola”. O evento acontece neste sábado, 19, a partir das 17h no centro de Criatividade. Os cantores serão acompanhados pelos músicos da banda Afro Criliber, que fará a regência das composições.  

 

Já no próximo dia 31 acontece o lançamento do tema deste ano que o Afro Bumbada Criliber vai levar para as ruas. Na ocasião acontece também a final do Concurso da Beleza Negra, a partir das 19h, na Concha Acústica do Centro de Criatividade. E nos dias 2, 3 e 4 de fevereiro o bloco sai pelas ruas dos bairros Cirurgia, Getúlio Vargas e Centro da cidade junto com outros blocos carnavalescos que apostam na retomada e na sobrevivência da tradição dos velhos carnavais.

Por Carla Sousa

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