Após o sucesso de ‘Clã’, Isis Broken prepara primeiro álbum para 2021

Cantora sergipana, Isis Broken (Foto: Arquivo pessoal de Isis Broken)

Nascida da resistência, dos desafios diários e da luta constante, a artista sergipana, Isis Broken, tem suas músicas ouvidas em diversos países e, neste ano, teve o seu clipe “O Clã” eleito como melhor videoclipe do país pelo Festival de Cinema de Vitória. Além de outras premiações e indicações, a trilha da cantora Isis Broken é cheia de histórias profundas. 

Com influências profundas de sua família que, segundo Isis, possuem raízes artísticas, a cantora menciona um legado especial deixado à ela pelo seu avô. “O momento que eu entrei em contato com a arte foi através do repente, ainda na minha infância. Tive uma influência forte do meu avô e, a partir dos 12 anos, comecei a compor letras estilo MPB e bossa nova”, explica. “Sempre considerei o repente como o rap do sertão, eu até gosto de usar o trocadilho e dizer que sou ‘RAPentista’. Essas são as minhas raízes, foi um legado que o meu avô deixou para mim”, completa.

Com sua trajetória em decolagem, a artista não hesita em falar que a família é a maior fonte de apoio durante sua carreira. “Minha mãe e meu avô sempre estiveram comigo me apoiando”, declara.

Prêmios e indicações

Isis Broken em cena do clipe “O Clã” (Foto: Arquivo pessoal de Isis Broken)

Isis Broken já possui indicações e premiações em festivais no Brasil e no mundo. 

Em novembro de 2019, o seu videoclipe “O Clã” foi indicado e premiado no maior festival de videoclipe do país, o Music Video Festival, na categoria de melhor figurino em videoclipe nacional.

Além de duas premiações nacionais e duas indicações internacionais, o videoclipe “Capeta Gasolina” também foi indicado em outubro deste ano no CF Short Film Festival, na Itália.

Também neste ano, o videoclipe “O Clã” foi indicado e premiado na categoria de videoclipe nacional pelo Festival de Cinema de Vitória e indicado no Cinefest Gato Preto. Além do videoclipe também ter sido indicado internacionalmente na categoria de Latin American Panorama no Bogotá Music Video Festival, esta foi a quarta indicação internacional de Isis Broken.

“Minha jornada é uma luta diária”

Autodeclarada como preta, “traveca”, nomenclatura utilizada pela travesti, e nordestina, Isis afirma sem relutar que os desafios que ela enfrenta são diários. “ Até sair na rua durante o dia se torna um desafio. É massacrante”, afirma.

Segundo a artista, a transfobia é um ponto forte que é enfrentado todos os dias, em todos os momentos e a desvalorização de seu trabalho se torna uma consequência desse preconceito. Isis Broken não se esforça para lembrar de momentos como estes. “Já aconteceu de eu ir fazer um show em um festival importante aqui de Sergipe, esperei nove meses para receber o meu cachê e após recebê-lo, distribuí os custos para os músicos e dançarinos e fiquei apenas com 50 reais”, relembra. “Eu levei Sergipe a nível internacional e o que levo como recompensa é a transfobia e a desvalorização”, completa.

“Se eles querem qualidade, nós temos. Se eles querem flow, nós temos. Se eles querem clipe bom, nós temos”, explica a artista sergipana sobre a arte trans. “Hoje a gente tem tudo, mas nunca somos levadas a sério”, comenta.

Ao ser questionada sobre sua felicidade, a cantora afirma que não espera que um dia possa ser feliz e que sua meta é ser completa. “Eu não sou feliz. Eu sempre tomo como verdade que rir demais é desespero, por isso, eu não busco ser feliz, eu sou completa e isso me basta”, declara.

Novidades para 2021

Para 2021, a artista informa que haverá lançamento do seu primeiro álbum, “Bruxas Cangaceiras”, com participações especiais e com o conceito de apresentar “corpas trans”, nomenclatura utilizada pela cantora para “corpos trans” no nordeste. O novo álbum também carregará o significado de renascimento e representatividade.

Para o dia 2 de fevereiro do próximo ano, a artista lançará “Ararinha da viola”, single feito em homenagem ao seu avô e que será lançado no dia de Iemanjá, a qual Isis Broken é filha.

Carregada de histórias e imersa em desafios, Isis Broken não desiste de sua jornada. “Eu sei que corro riscos, mas acredito com todas as minhas forças na arte trans, essa arte vai mudar o mundo”, afirma.

Por Isabella Vieira e Verlane Estácio

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