Aprender com o tempo – por Gustavo Aragão

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Somos seres perdidos, num tempo de agruras, feitos de água e luz. Perdemos o mistério da vida quando não o buscamos desvendar. Queremos tudo de pronto, do bom, do melhor e muitas vezes, na excelência das horas, agimos de modo infame e vil.

É certo que todos os caminhos não nos levam a lugar nenhum, mas é preciso que sintamos a vida de forma plena, é preciso se deixar topar com o mundo e buscar novos caminhos, novas e vulneráveis certezas, pois todas as certezas acompanhadas do conhecimento e da experiência tornam-se sitiadas. É preciso se deixar levar pelo perfume humanizador das flores, pelo calor e pelo barulho restaurador da praia, pela leveza que explode harmonicamente do bico dos pássaros, pelo verdor salutar das árvores, pela calmaria restauradora das águas… Queremos sempre ter para nós e esquecemos do próximo. Concentramo-nos em nós mesmos e queremos que o mundo e os outros girem em torno de nós, moldados pelo nosso egoísmo doentio e prepotente. Sentimo-nos donos do mundo, proprietários de outros, mas nos esquecemos de tomar as rédeas da própria vida. Preferimos sempre o belo ao feio e ao caótico, preferimos o melhor em detrimento do ruim, mas esquecemos que somos um somatório de todos esses pólos, somos constituídos de uma porção de cada um desses elementos. Somos construídos de caos e beleza, mas também do feio e do que é ruim ou podre. Somos todos imperfeitos, em busca de uma perfeição inatingível, de uma salvação inalcansável, de uma felicidade (plena) impossível. Somos todos “in”, posto que somos um contentamento descontente, em busca de algo no mundo que nos preencha, embora sejamos a própria solução para o nosso vazio. Torna-se necessário que nos amemos, que conheçamos os nossos limites e as nossas capacidades, que caiamos em campo a procura do nosso fortalecimento, do nosso bem. Somos nós capazes de nos bastar, não para que sejamos sozinhos no mundo, pois ninguém o é, mas para nos distanciar da idéia de que só vivemos na dependência física e emocional do outro. Esta insegurança que nos consome, e que habita em nós, nos faz seres medrosos, hipócritas e prepotentes. Sejamos mais humanos, mais dignos. Sejamos amáveis com os outros, porque só assim provaremos o quanto somos amáveis com nós mesmos, busquemos reconhecer os nossos erros e aprender com eles. Errar é algo comum entre os homens, mas é necessário que reconheçamos os nossos erros e que tenhamos humildade suficiente para aprender com eles. Viver uma vida sem limitações, sem regras, pode até ser altamente possível, contanto que não atinjamos os outros com nossas loucuras. Isto é praticamente impossível, pois apesar de pensarmos que somos sozinhos no mundo, descendemos de outros e nos interligamos a outros e não temos como fugir disso. Portanto, melhor seria se pensássemos muito antes de agir. Pensar é sempre bom para se ter uma vida sensata. Ver no mundo, na Natureza e nos demais um prolongamento de nosso ser, pois só assim os respeitaremos nas suas individualidades. Façamos a nossa parte, permitindo que o outro também faça a dele. Não somos donos do mundo, de pessoas, não temos tanto poder assim. É indispensável que nos conheçamos na nossa pequeneza para saber o quanto ainda precisamos evoluir. Não adianta acreditar que somos auto-suficientes, que “só eu posso”, que “nada me atinge”. Não resolve nada se achar onipotente e onipresente. Olhe em seu redor e veja de quantas pessoas precisou, precisa para ser o que é, em seu momento presente, e assim tire uma média de quantas pessoas ainda precisará para continuar sustentando o seu posto. Não somos absolutos porque temos uma condição financeira melhor, porque temos olhos azuis e fazemos parte da família TAL, porque ando numa Ferrari, isto não passam de delírios momentâneos que não levaremos a eternidade. Por isso espero que todos nós busquemos mais razões em SER do que em TER nesse ano que se aproxima. Desejo a todos um ano de reflexão, prosperidade, realizações, muita saúde e paz.

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