
Nos dias 21 e 22 de março de 2026, a partir das 16h, o Centro Cultural de Aracaju recebe a MAAR 2026 – Margens Ressonantes, mostra dedicada à música experimental, acusmática e às poéticas do som. O evento é gratuito e propõe ao público uma experiência imersiva de escuta, reunindo performances, obras acusmáticas, instalações e atividades formativas voltadas à criação sonora contemporânea.
Na proposta curatorial da mostra, o limiar não é um ponto fixo, mas um território instável onde materiais, ideias e corpos se encontram para se transformar mutuamente. Habitar essas zonas exige uma nova forma de escuta — uma espécie de acustemologia — capaz de navegar entre territórios e aceitar a fluidez do entre-lugar, partindo da ideia de que vivemos um tempo de limiares exauridos: zonas de transição que revelam tanto a vulnerabilidade do mundo quanto sua potência de reinvenção.
De acordo com o músico, compositor e engenheiro de som Dudu Prudente, artista sergipano radicado na Bélgica que transita entre a música popular e as paisagens imersivas da música acusmática e eletroacústica, explorar o som em tempos de crise ambiental exige reconhecer as tensões que atravessam os territórios. “A Mostra MAAR nasce de um desejo pessoal de compartilhar com o público de Aracaju um universo que me atravessa profundamente: o da criação sonora e da música exploratória, especialmente a música acusmática. É uma forma de fazer música a partir de sons pré-gravados que são espacializados em sistemas com muitos alto-falantes, criando uma experiência de escuta muito imersiva, imagética e sensorial. Sempre senti falta de vivenciar esse tipo de experiência aqui”, afirma.
Para o curador, músico e pesquisador, Gilberto Monte, em Aracaju, essa fratura é audível: o som dos manguezais ameaçados convive com o ruído das máquinas e com a biofonia dos estuários. A música exploratória apresentada na MAAR não busca resolver essa tensão, mas torná-la audível — transformando a crise em um campo de atenção profunda. “A ideia da mostra é abrir um espaço de escuta diferente, onde o som possa ser percebido de outras maneiras e onde também aconteçam instalações, performances multimídia e experiências ligadas à criação sonora. Ao mesmo tempo, fico feliz que esse projeto aconteça no Nordeste do Brasil, porque ele inevitavelmente carrega as marcas culturais, geográficas e sensíveis desse lugar. Existe uma potência criativa enorme aqui, e iniciativas como essa podem aproximar pessoas interessadas nesse campo”, destaca.
Inspirada em perspectivas contemporâneas da escuta e na noção de partilha do sensível, a mostra entende a performance sonora como um gesto político capaz de abrir espaço para vozes não humanas, ruídos marginalizados e paisagens acústicas invisibilizadas. A MAAR 2026 convida o público a ocupar o lugar do intermediário — aquele que habita os intervalos. Nesse sentido, as obras apresentadas funcionam como ritos de passagem sonoros, conduzindo a escuta através de paisagens imaginárias criadas por sistemas multicanal de alto-falantes, espacialização sonora e materiais eletroacústicos.
Além das apresentações, a MAAR prevê oficinas práticas de criação sonora, buscando estimular novos artistas e fortalecer a cena de música experimental na região. A Mostra é realizada com recursos da Política Nacional Aldir Blanc, por meio da Fundação Cultural Cidade de Aracaju (FUNCAP), Prefeitura Municipal de Aracaju, Ministério da Cultura e Governo Federal.
Confira a Programação completa.
Serviço
MAAR 2026 – Margens Ressonantes: A Poética do Limite e a Escuta da Fragilidade
Mostra de Música Experimental, Acusmática e Poéticas do Som
Local: Centro Cultural de Aracaju
Data: 21 e 22 de março de 2026
Horário: A partir das 16h
Evento Gratuito
Mais informações: https://maar-mus.org/ e https://www.instagram.com/mostramaar/
Fonte: Assessoria de Comunicação
