Arquivo Público:obra prioriza acessibilidade e prevenção a incêndio  

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O Arquivo Público está recebendo investimentos de R$ 900 mil, custeados pela Centrais Elétricas de Sergipe (Celse) (Foto: Jorge Henrique/ASN)

As obras de recuperação do Arquivo Público de Sergipe, espaço público de responsabilidade do governo do Estado, está em fase de conclusão. Instalado num prédio de 1936, situado na Praça Fausto Cardoso, o Arquivo Público está recebendo investimentos de R$ 900 mil, custeados pela Centrais Elétricas de Sergipe (Celse) e com acompanhamento técnico das Secretarias de Estado da Cultura (Secult) e da Infraestrutura (Seinfra).

Ao se instalar em Sergipe, o Governo e a Centrais Elétricas celebraram Protocolo de Intenções para promover ações de preservação do patrimônio cultural e histórico de espaços públicos que integram o meio ambiente cultural do Estado de Sergipe. O Protocolo tem duração de cinco anos e, através dele, a empresa assegurou fazer a reforma do Teatro Tobias Barreto, da Biblioteca Pública Epifânio Dória e do Arquivo Público de Sergipe.

O Arquivo Público é uma instituição que está encarregada de guardar, preservar e dar publicidade aos documentos produzidos pelo poder executivo ao longo da sua história.

Segundo o diretor do Arquivo Público de Sergipe, Milton Barbosa, a reforma demonstra a preocupação do governo do Estado com as gerações futuras, no acesso à informação. “O Arquivo Público abriga toda a documentação referente por exemplo, à educação. Então,  tudo que você imaginar sobre educação no estado de Sergipe, desde 1808 para cá, tem sido guardado dentro desse prédio”.

O Arquivo tem alimentado pesquisas, entre monografias de conclusão de curso, dissertação de mestrado, teses de doutorado, dentro e fora do estado, e até pesquisas de estudiosos de outros países.

“ A reforma irá contribuir para o melhor armazenamento do acervo. Para se ter uma ideia, o Arquivo Público possui uma escritura de compra e venda de uma propriedade rural de 1673.  Além disso, temos a coleção do pesquisador Sebrão Sobrinho digitalizada na íntegra, do jurista Gumercindo Bessa, de documentos do poeta Freire Ribeiro e do pesquisador e historiador Epifânio Dória, entre outros. Além de digitalizado todo o diário oficial impresso em Sergipe, desde a primeira edição em 1895, até o último circulado em formato impresso, em dezembro de 2012 ”, revelou Milton Barbosa.

Ainda segundo o diretor do Arquivo Público, a reforma possibilitará a preservação de um dos poucos prédios em Sergipe, que trazem características arquitetônicas da Arte Déco. “O prédio do Arquivo Público traz uma beleza arquitetônica antiga, além de dialogar com um todo um complexo histórico do Centro de Aracaju,  que compõe a Praça Fausto Cardoso, o Palácio Museu Olímpio Campos, entre outros prédios”, enfatizou.

Para o representante da Celse, engenheiro Fábio Pimentel, o protocolo foi focado na preservação de prédios culturais como o Arquivo Público, Biblioteca Pública e o Teatro Tobias Barreto.  “Aqui, no Arquivo Público, estamos trabalhando numa obra que é tombada. Então, a gente tem toda uma preocupação com a arquitetura e acervo. Com isso, a gente percebe o papel social da própria Celse na preservação da história e da continuidade cultural, através desse protocolo. Existe um olhar, todo especial, para essas obras culturais. A direção da Celse podia estar entregando outras coisas, mas justamente a parte cultural foi o nosso foco”, ressaltou.

Acessibilidade e prevenção de Incêndios 

A reforma prevê a recuperação da estrutura física do imóvel, aquisição de máquinas e elevador, recuperação do auditório e pintura geral do imóvel, entre as principais intervenções.

Para o engenheiro responsável pela obra, Ricardo Rocha, o maior desafio tem sido adaptar o prédio às novas necessidades técnicas e preservar as características históricas. “Por se tratar de um prédio tombado, encaramos de cara um grande desafio. O Arquivo Público é um prédio muito antigo, com inauguração em 1936. Então, muitas coisas que a gente encontrou aqui, são de um método de construção do passado, que hoje não se constrói mais. E nós tivemos que considerar essas características e adaptar aos novos padrões, sem perder as características arquitetônicas. Fizemos a reforma de toda a estrutura, da pintura, que estava muito desgastada. Refizemos a instalação elétrica e hidráulica, já que não estava mais de acordo com as normas técnicas. Além disso, tivemos outro desafio, que foi a questão da acessibilidade, um ponto forte da nossa reforma”, explicou o engenheiro.

A obra priorizou as adequações referentes à acessibilidade e, desta maneira, a obra traz a instalação do piso táctil, barras de proteção e adequações dos banheiros e sirenes. A obra compreende também um elevador plataforma, com capacidade de para um cadeirante e mais três acompanhantes. Além disso, o auditório que é da década de 30, também está recebendo acessibilidade, com plataforma de elevação para cadeirantes e cadeiras para pessoas com obesidade.

“Do ponto de vista da acessibilidade, o projeto está tendo toda uma preocupação para que ninguém seja discriminado na hora de acessar os dados, que é dever do estado oferecer”, disse o diretor Milton Barbosa.

Outra característica importante na execução da reforma, foi com relação ao sistema de prevenção a acidentes. “Como o prédio é antigo, ele não estava adaptado à questão de prevenção de incêndio. Então, nós fizemos um novo projeto durante a execução da obra e encaminhamos ao Corpo de Bombeiros para aprovação. Com isso, o Arquivo atenderá a todas as normas de prevenção de incêndio, com detectores de fumaça, hidrantes de passeio, sirenes, sensores de alarmes e placas indicativas. Um projeto complexo, mas que atendeu todas as normas exigidas sem prejudicar as características de tombamento do prédio”, revelou o engenheiro Ricardo Rocha.

Sobre o Arquivo Público

O Arquivo Público de Sergipe (APES) tem sua origem na Seção de Arquivo da Biblioteca Pública Provincial, criada em 1848. No Governo de Mauricio Graccho Cardoso, em 1923, foi criado o Arquivo Público do Estado. Em 1926, o Arquivo volta à condição de Seção da Biblioteca Pública, mantendo-se nesta situação até 1945. O imóvel que hoje abriga o Arquivo Público, o Palácio Carvalho Neto, foi construído 1936 em estilo rococó, para abrigar a Biblioteca Pública e a secção do Arquivo Público. Em 1947 o Arquivo Público muda-se para o imóvel que hoje sedia a Escola do Legislativo (antiga Assembleia Legislativa). A situação permaneceu até 1974, quando foi construído um novo prédio para a Biblioteca Epifânio Dória, no bairro 13 de julho. A Biblioteca mudou-se e o Arquivo Público passou a ocupar sozinho o Palácio Carvalho Neto.

Fonte: ascom ASN

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