Bodegas: mostra propõe um retorno ao passado

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Exposição fica em cartaz até dia 13 de abril na Galeria do Sesc
Na Aracaju dos anos 50 a 70, em cada esquina era possível encontrar “pequenos armazéns de secos e molhados”, ou simplesmente as “bodegas”. Prevendo que o tempo iria acabar mudando a cara da cidade, Expedito de Souza, começou na década de 70 a registrar esses e outros cantinhos da capital sergipana.

As imagens feitas por ele compõem a mostra ‘Bodegas: Memórias de Aracaju”, em exposição na Galeria de Arte do Sesc. As fotografias das fachadas de antigas bodegas estão expostas num verdadeiro antes e depois e propõe um retorno ao passado e uma reflexão sobre o presente.  

A maioria das fotos foi feita entre 75 e 77. Em 2005, Expedito retornou aos mesmos locais para registrar as mudanças do tempo, sempre munido de sua câmera que até hoje utiliza, uma Olympus 35mm. “Em 70 eu já tinha idéia de que aquilo que eu estava fotografando iria mudar”, afirma Expedito.

Expedito Souza: décadas de fotografia
As famosas ‘bodegas’ eram mantidas, em sua maioria, por famílias vindas do interior que precisavam arranjar um meio de sustento na capital e era nesses estabelecimentos que a população se abastecia. “Todo o comércio de gêneros alimentícios eram feitos nas bodegas. Em quase toda a esquina existiam de três a quatro”, explica Expedito.

Ele conta que uma das características das bodegas era a venda em retalho, ou em pequenas quantidades. “As pessoas iam comprar geralmente cem gramas de farinha, de arroz, de feijão…”. Além dos alimentos era regra em toda a bodega ter um “cantinho da cachaça”, onde eram comercializadas bebidas feitas de casca de pau, ervas, frutas, entre outras coisas.

Estão expostos 21 painéis com fotos da década de 70 e do ano de 2005
Com o surgimento dos supermercados as bodegas, que ficavam em sua maioria no centro da cidade, foram perdendo o apelo e sendo empurradas para as periferias. Através das imagens registradas por Expedito dá para perceber que os tempos modernos dizimaram não só as bodegas, mas também mudaram boa parte do seu entorno.

Boas lembranças

Quem visita a exposição acaba tendo boas lembranças, como a professora de artes Virgínia Silveira, que identificou a residência em que viveu na década de 60, que era vizinha a uma bodega. “Foi uma surpresa maravilhosa. Uma volta ao passado! Me senti criança pulando na porta de casa de macacão”, conta.

As fotografias de Expedito têm inspirado também os estudantes que visitam a exposição e acabam colhendo verdadeiros objetos de estudo. “É uma iniciativa muito importante porque muitas pessoas só olham o atual e

Virgínia, assim como diversos visitantes, reconhcem seu passado nas imagens
esquecem do que foi antigamente. A diferença é grande”, ressalta o universitário Rui Correia.

Projetos futuros

Expedito mantém um arquivo ‘generoso’ de fotografias de Aracaju desde a década de 70 até os dias atuais. As 41 imagens expostas na galeria do Sesc representam apenas uma pequena parcela do que ele tem guardado. A idéia dele no futuro é publicar um álbum com fotografias de ruas, avenidas, residências e bodegas.

Desde 2005, quando Aracaju completou 150 anos, que ele tenta patrocínio para concretizar este desejo, mas sem sucesso. De lá para cá ele fez algumas mostras com as imagens de seu acervo. Enquanto o álbum não sai, vale a pena conferir o trabalho de Expedito em exposição até o dia 13 de abril. A galeria fica localizada no Sesc Centro, na rua Dom José Thomaz, 235. As escolas que queiram levar seus alunos podem agendar visitas monitoradas pelo telefone (0xx79) 3216-2753.

Por Carla Sousa

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