“Brincar é coisa séria!”, por Janaína Resende

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O brincar para a criança não tem a mesma representação de diversão para o adulto – passatempo, algo que lhe proporciona lazer. Quando a criança brinca, ela não fica sem fazer nada, pois o brincar ensina a criança a viver. Entretanto, alguns pais na preocupação com o futuro de seus filhos exigem deles uma conduta formal com relação à aprendizagem, depositando grandes expectativas em vê-los disciplinados, responsáveis.  Preocupar-se com os filhos é absolutamente normal, desde que essa preocupação seja de forma balanceada, respeitando os limites de cada criança.

Brincar é o “trabalho” da criança, algo bastante sério, atividade em que ela se desenvolve, descobre seus limites, seu lugar, seu papel, experimenta novas formas de viver formando um conceito sobre si mesma. Brincando a criança explora o ambiente, faz pequenos ensaios de vida, compreende regras e aprende aos poucos a arte de se relacionar com mundo.

Mas o que fazer quando a criança cisma que quer aquele brinquedo maravilhoso (e caríssimo!) e quando estão no supermercado ou no shopping o avistam de longe, pedem para os seus pais e eles dizem “agora não dá”? Certamente essa situação acaba quase sempre em birra, choro e um imperativo “eu não gosto mais de você”. Uma boa conversa é com certeza a melhor saída. Explicar para o seu filho que a situação financeira não permite, ou qualquer outro motivo conforme o caso é o melhor remédio para que se contorne a situação. Com carinho e paciência os pais conseguirão fazer seus filhos entenderem que o momento não permite a compra. Atenção: jamais faça promessas que você não pode cumprir, para não gerar expectativas e a criança perceber que o tal presente nunca chega resultando numa desconfiança e descrença nos pais – algo que não é saudável numa relação.

Enfim, é brincando que a criança aprende a diferenciar seus desejos e fantasias da realidade. Aprende a escolher, decidir, ter iniciativa, e isto permite à criança “descarregar sua energia”, dominar e resolver situações difíceis e conflitantes provocadas pelas exigências do mundo adulto. No brincar ela pode expressar seus desejos reprimidos pela educação, pela sociedade, sem ser castigada por isso e principalmente sem entrar em choque com a sua consciência.

 

* Janaína Resende é formanda em Psicologia pela Pio X.

 

Fontes consultadas:

Enciclopédia da Mulher e da Família, V11, Rio de Janeiro.

O brincar e a realidade. Donald Winnicott. Rio de Janeiro: Imago.

A psicanálise da criança: teorias e técnicas. Porto Alegre: Art Med.


 

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