Caixa Cênica monta novo espetáculo

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Thiago Marques e Fábio Babu do Caixa Cênica
O grupo sergipano de teatro Caixa Cênica apresenta desta quinta-feira, 18, até 25 de setembro a peça ‘Acorda!’. Voltada para o público infantil, o espetáculo estará inserido nas mobilizações da Semana Nacional do Trânsito que serão realizadas em Aracaju. O diretor da peça e membro do grupo Fábio Rodrigues, o Babu, falou com a equipe do Portal Infonet sobre a peça e também sobre o Caixa Cênica.

As apresentações da peça acontecem no Shopping Riomar, em horários pela manhã e tarde.

Portal Infonet – Como foi o processo de montagem da peça?
Fábio Rodrigues – Foi tudo muito acelerado. De quando foi fechado o contrato com a Secretaria de Estado dos Transportes e da Integração Metropolitana (Setram) até agora tivemos um curto período. Tem sido um trabalho árduo, mas é gratificante porque estamos fazendo um trabalho que acreditamos que é produtivo do ponto de vista social e artístico, dando à arte esse poder de interferência sobre as questões sociais.

Infonet – Como você vê essa relação da arte com educação?
FR – A gente não pode determinar que a arte tenha finalidades tão especificas, mas a gente sabe do poder sensibilizador que existe na produção artística, principalmente no teatro. Esse tipo de experiência remonta à Grécia Antiga. Vemos isso muito marcadamente no teatro de [Bertold] Brecht, de [Augusto] Boal no Brasil, e outras referência históricas que mostram o poder que o teatro tem não só para o entretenimento. A gente consegue perceber a capacidade de penetração que o teatro tem no sentido de fomentar o desenvolvimento de conteúdo proporcionando no público a reflexão, pra isso existe o que se chama de teatro didático. Falando isso a grosso modo parece que estamos querendo cercear a possibilidade de leitura do público. Mas não, é que temos uma obra direcionada e a vamos fazer o máximo para atingir o nosso objetivo. O teatro propriamente é isso, quando se conta uma história a gente já tem um objetivo.

Caixa Cênica na peça Palavras Mágicas
Infonet – Por que, na Semana de Trânsito, vocês decidiram pôr o foco na criança?
FR – Porque estatisticamente, dentre as vítimas fatais de acidentes de trânsito as crianças estão em primeiro lugar. Sem contar o número enorme de crianças que, por conta de acidentes, ficam deficientes. Então, vamos apresentar essa peça que tem um caráter lúdico, mas que propõe também uma discussão sobre cidadania, sobre o risco que é o trânsito, posturas de respeito.

Infonet – Conta um pouco da história da peça.
FR – É a história de um garoto no seu primeiro dia em que ele vai poder ir pra escola sozinho, sem a mãe. O dia começa radiante até que ele vai pra rua. E na rua tudo é redimensionado, tudo é grande. Esse amigo brincando de bola da rua acaba provocando um acidente. Na escola, a professora passa uma atividade para desenhar e ele faz um desenho sobre acidente de trânsito e acaba sendo alvo de chacota dos coleguinhas que não entendem. Então o dia que começou maravilhoso, começa a perder o brilho. Quando ele chega em casa, liga a televisão e só vê notícias ruins. Ele acaba adormecendo no sofá e entra no mundo dos sonhos, e lá ele encontra a Dona Má Notícia. Ela fala pra ele que ele não precisa ter cuidado, que ela precisa de mais más notícias. Ele começa a perceber o que está se passando, que ela quer transformá-lo em uma vítima em potencial ou um futuro mal condutor. É um espetáculo didático que busca articular essa coisa do bem e mal, do certo e errado, as contradições.

Respire e conte até 10 foi outra peça do grupo / Foto: Gabriela Caldas
Infonet – Como foi que surgiu o grupo Caixa Cênica?
FR – O Caixa Cênica surgiu como uma dissidência do grupo Cia. dos Duendês, que foi muito atuante no final da década de 90. Era um grupo de atores que vinha ganhando um grande prestígio, porque vinha desenvolvendo um trabalho de qualidade, uma coisa que o teatro sergipano almejava e via com bons olhos. Com o término do Cia de Duendês, eu, Diane [Veloso], Leandro Godinho resolvemos montar um grupo. A princípio era um grupo de discussão. A partir da I Conferência de Teatro de Sergipe, que realizamos em fevereiro de 2002, percebemos que o grupo estava consolidado e dali começamos a fazer projetos de montagem. De lá pra cá, Juliana Oliveira entrou. Só que o Léo e a Juliana passaram na prova da EAD [Escola de Arte Dramática] da USP e se afastaram. Ficou eu e Diane aqui, e nesse processo a gente incorporou a Leila Magalhães, Thiago Marques e Frederico Lira. Como o grupo tem uma linha de teatro muito ligado com a experimentação da linguagem, a gente não tem essa cobrança enlouquecedora de estar montando.

Infonet – Além do Acorda!, vocês estão com outras montagens no momento?
FR – Atualmente, nós estamos desenvolvendo três trabalhos ao mesmo tempo. Por conta do Acorda!, a gente deu uma parada na montagem do Balé Ralé. E já montamos um espetáculo chamado Palavras Mágicas, que agora vamos levar por escolas. É um espetáculo que tem um viés educativo e está incluindo dentro da filosofia da promoção da cultura da paz. O Caixa Cênica sempre teve uma atenção muito peculiar na discussão sobre a violência, seja a violência urbana, doméstica. Isso nos chama muita atenção, nos faz querer discutir. O Balé Ralé a gente entra na discussão da violência doméstica.

Por Gabriela Amorim

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