‘Cia. O mínimo’ traz o circo contemporâneo

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Sim Salabim e Susana
Viver da arte circense é o que faz o uruguaio Robert Clark há pelo menos 10 anos. Há sete chegou ao Brasil, com uma caravana de atores circenses vinda da Argentina. Apaixonou-se pelo nosso país, e daqui nunca mais saiu.

Morando a dois anos em Aracaju, Robert e sua esposa, a paulista Iris Fiorelle, fundaram aqui a ‘Cia. O mínimo’, responsável pelo espetáculo ‘Sim Salabim’, e por cursos e oficinas na área circense. Robert disse que encontrou em Aracaju uma cidade calma, bonita e acolhedora. “Não pretendo sair daqui. Pelo contrário, quero me estabelecer melhor nesta cidade”, afirma o artista.

Além disso, os dois perceberam em Aracaju uma carência de companhias que trabalhassem com o circo contemporâneo, ou seja, aquele que mistura o teatro, a dança e as artes circenses. “Nós só encontrávamos essas companhias no Rio, em São Paulo, e em Brasília, por exemplo. Essa linguagem que trouxemos para Aracaju é muito nova, é diferente”, afirma.

O casal de atores se conheceu durante a Caravana Itinerante do Ministério da Cultura, que percorreu nove estado brasileiros entre 2004 e 2005 . A última parada era Sergipe, “e cansados de viajar, resolvemos ficar por aqui. Já vínhamos pensando em abrir uma companhia e montar um espetáculo nosso. Daí nasceu o Sim Salabim”, conta Robert.

Sim Salabim

Primeiro espetáculo fundado pela Cia. O mínimo, “Sim Salabim” é a história de um mágico com uma mala cheia de atrações e de Susana, jovem tímida e atrapalhada que vai assistir ao show do mágico e acaba entrando no palco procurando um lugar para se sentar.

O artista Robert Clark
Inicialmente, Susana resiste em participar dos números do mágico, mas Sim Salabim dá a ela uma de suas porções mágicas e a transforma em sua assistente atrapalhada. “No decorrer do espetáculo eles se namoram e no final, vão embora juntos à procura de novas aventuras”, antecipa Clark.

Robert afirma que o espetáculo é bastante interativo, e que as platéias sergipanas têm gostado e aprovado. “A estréia do espetáculo aconteceu no Núcleo de Produção Digital, e desde então já o apresentamos em muitos lugares, como a Rua da Cultura, o Projeto Verão, no Encontro Cultural de Laranjeiras, já fomos a Carmópolis e Lagarto, e agora em novembro vamos a Poço Redondo, Japoatã e Barra dos Coqueiros”, enumera.

Até agora, dois anos e meio após sua criação, apenas o público sergipano pôde conferir o ‘Sim Salabim’. “Nós temos vontade de circular com o espetáculo, levá-lo para fora do estado e até mesmo para outros países, por meio de festivais internacionais. É claro que já estamos pensando em uma nova montagem, mas acredito que Sim Salabim ainta tem muito que render”, afirma Robert.

A multiplicação

Clark faz alguns números com seus malabares
Além de levar o espetáculo Sim Salabim, a Cia. O mínimo oferece, também, oficinas de circo, de dança e de construção de materiais reciclados. Na oficina de circo, por exemplo, são realizadas atividades lúdicas de arte circense, trabalhando desde o corpo até o desenvolvimento cognitivo do aluno.

“Desde que chegamos aqui temos trabalhado com educação. Nós já formamos muitos alunos em nossas oficinas, e são essas pessoas que nós chamamos quando precisamos de um grupo maior de atores em nossas apresentações. Eles, aliás, vêm formando suas próprias companhias. Já são quatro formadas por ex-alunos nossos”, conta o artista.

Viver da arte

“Ser artista e viver disso não é fácil. O artista tem que se doar bastante e ter muita coragem. Mas eu acredito que estamos num novo tempo, e o Ministério da Cultura está aí e tem criado muitas leis e apoios para beneficiar nossa arte”, acredita Robert.

A dupla de atores já foi contemplada por editais de cultura, como o da Funarte, que possibilitou um aperfeiçoamento do espetáculo ‘Sim Salabim’. “Esse investimento está beneficiando toda a população. Tanto quem está assistindo aos espetáculos, como os atores que estão se formando”, declara.

Por Helmo Goes e Glauco Vinicius

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