Concerto da Orquestra Sinfônica em homenagem a Tobias Barreto encanta público

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Concerto em homenagem a Tobias Barreto integra Série Cajueiros IV (Fotos: Fabiana Costa/Secult)

“O palco é o reino encantado de felicidade, que surge sem ser esperada e quando bem lhe parece”. Esta frase é do célebre Tobias Barreto de Menezes, nascido em 7 de junho de 1839. Com o intuito de homenagear a data de aniversário do jornalista, advogado, deputado provincial e um dos maiores intelectuais da história do Brasil, Tobias Barreto de Menezes, a Orquestra Sinfônica de Sergipe (Orsse) presenteou o público, na noite desta quinta-feira, 9, com o "Festival Beethoven", que integra a Série Cajueiros IV.

Segundo o renomado maestro e diretor artístico da orquestra, Guilherme Mannis, assim como Beethoven, Tobias Barreto teve influência germânica em suas produções. “Trata-se de um concerto em homenagem a Tobias Barreto, um germanista que teve sua inspiração nesta filosofia e literatura. Assim como ele, Beethoven teve a inspiração de grandes filósofos alemães, a exemplo de Schiller”, explanou.

Regência da Orquestra ficou com o diretor Guilherme Mannis

Sob regência do maestro assistente, Daniel Nery, a primeira parte do programa foi aberta pela obra composta para a reinauguração do Teatro de Viena – "A Consagração da Casa" Op. 124. Em seguida, o público foi brindado com a abertura da única ópera composta por Beethoven: "Fidélio" Op. 72. Fechando a primeira parte do programa e a coordenação de Daniel Nery na noite, a ORSSE executou a abertura de "Leonora nº3" Op. 72 – título original da obra anterior que foi alterada para Fidélio uma vez que houve, pelo menos, duas montagens operísticas anteriores daquela peça.

Após um breve intervalo, a Orsse retornou a apresentação com a regência de Guilherme Mannis. Para esta segunda parte, os músicos executaram a Sinfonia n°6 em Fá maior, Op. 68 de Beethoven, também conhecida como Sinfonia Pastoral. Guilherme explica que esta é a precursora da música programática, cujo objetivo é descrever passagens literárias através do texto musical. “Trata-se de uma obra dividida em cinco movimentos capazes de transpor para a música a sensação experimentada nos ambientes campestres. A particularidade da Sexta Sinfonia está na qualidade da própria música”, conceituou o regente.

Ainda segundo Mannis, interpretar Beethoven é sempre um desafio, seja para o regente, seja para os músicos. “Toda vez ao interpretar Beethoven, você enxerga coisas novas. Os músicos trazem algo novo e você trabalha neste sentido. Uma partitura de Beethoven escrita no século XIX pode ser tão fresca como qualquer obra atual. Dessa forma, é sempre um desafio para nós músicos e requer uma energia tremenda”, destacou Guilherme.

Público comparece em peso

Próximo ao dia dos namorados (12 de junho), a musicista Keice Moura esteve presente no TTB para conferir de perto a performance do seu noivo e músico da orquestra, James Bertisch. O casal que se conheceu através da música (ele é professor de Música na Universidade Federal de Sergipe, e ela sua aluna) conta que trabalhar com esta arte é algo maravilhoso e engrandecedor. “Sou músico desde 1993 e hoje estar tocando na Orsse é um prazer, ainda mais quando estamos perto de grandes profissionais”, contou James, que toca tímpanos na orquestra.

“Poder acompanhar o trabalho dele é algo inspirador, procuro sempre estar presente em suas apresentações. Foi amor à primeira vista, tanto pela pessoa que ele é, quanto pelo excelente músico e professor que conheci na universidade”, frisou Keice, que garantiu que o casamento sairá ainda este ano.

A noite não foi apenas dos casais, mas foi também dos solteiros. A exemplo da professora e advogada Ludmila Pacheco. Ela conta que seu interesse pela música clássica veio de um amigo da universidade e também de amigas com quem conviveu nos Estados Unidos. “Sempre que posso venho aos concertos da Orsse. Morei um ano fora e convivi com pessoas apaixonadas por música clássica. Não costumo ouvir em casa, mas procuro sempre vir ao teatro, que para mim é outra emoção” declarou a admiradora de artistas como Villa-Lobos e Beethoven.

Sobre o homenageado

Tobias Barreto Menezes nasceu em 7 de junho 1839 na Vila de Campos – província sergipana. Exerceu muitas funções, entre elas a de advogado, jornalista, deputado e uma não muito lembrada no arcabouço literário brasileiro: a de poeta. As temáticas sociais da época estavam sempre presentes nos seus poemas. Que Mimo (1874), O Gênio da Humanidade (1866), Escravidão (1868) e Amar (1866) são algumas das suas poesias mais famosas. Foi o fundador do condoreirismo brasileiro e patrono da cadeira 38 da Academia Brasileira de Letras. Em 1889, Tobias Barreto morre deixando um grande legado para a literatura brasileira.

Sobre o artista apresentado

Nascido em 16 de dezembro de 1770 na Renânia do Norte – Alemanha, Ludwig van Beethoven é considerado um dos pilares da música ocidental. Foi do pai que Beethoven recebeu as primeiras lições de piano, que queria torná-lo menino prodígio ao piano. Estudiosos costumam dividir a obra beethoveniana em três fases. A primeira incluiria as obras escritas entre 1792 e 1800. A segunda fase corresponderia ao período de 1800 a 1814, marcado pela surdez e pelas decepções amorosas. São características dessa fase obras como a sinfonia "Eroica", a "Sonata ao Luar" e os dois últimos concertos para piano. A última fase, de 1814 a 1827, ano de sua morte, seria o período das obras monumentais: a Nona Sinfonia, a "Missa Solene", os últimos quartetos de cordas.

Fonte: Secult

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