Contar histórias para quê?! – por Gustavo Aragão

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                                          Contar histórias para quê?!

 

Ler histórias para crianças é sempre um momento aprazível, de risadas, de humor e divertimento. É suscitar o imaginário e fazer florear pensamentos. É ter a curiosidade respondida em relação a tantas perguntas, assim como encontrar a chave para abrir novas portas, encontrar idéias para solucionar os problemas que nos perturbam.

 É ouvindo histórias, que a criança, ou até mesmo os adultos podem sentir emoções importantes, como a tristeza, a raiva, a irritação, a tranqüilidade, o bem-estar, a alegria, dentre outras. Existe realmente um momento de Katarsi, no qual os seres purificam suas emoções e passam a se identificar com os personagens, com a trama (sucessão de acontecimentos).

É através duma história, que o ser humano pode se aventurar pelo imaginário e descobrir outros lugares, outros tempos, outros modos de agir, outra ética, outros costumes.

O primeiro contato da criança com a leitura, com textos é feito oralmente, quando ou a mãe ou o pai ou os avós ou algum parente se dispõe a contar-lhes historinhas, desfiar os contos de fadas, as fábulas, parábolas, narrativas inventadas etc.

O ato de contar histórias é uma Arte. E arte em grego é prescrita techinè.   É preciso ter TÉCNICA para contar uma história. O trabalho com a voz, do corpo através dos gestos, das imagens, dos textos etc., tudo isto possibilita e propicia ao público-ouvinte momentos mágicos, de muito envolvimento.

O narrador tem de transmitir confiança ao narrar, tem de motivar e despertar a atenção e a admiração, respectivamente. Pode-se contar qualquer história a uma criança ou a um adulto; aquelas compridas, as curtas, as antigas ou as atuais, contos de fadas, de fantasmas, realistas, lendas, contanto que o narrador a conheça e possa se sentir seguro em contá-las, passando confiança para o ouvinte. As histórias devem ser escolhidas por serem belas e boas, por terem uma excelente trama, que deem margem para boas e proveitosas discussões. Pode-se escolher histórias que acalmem ou até mesmo proporcionem aos ouvintes uma viagem pelo universo fantasioso da imaginação. É preciso saber aproveitar o texto, criando um clima de envolvimento, de encantamento, colorindo-os com entonações adequadas para cada frase lida ou contada, usar de maneira bem-humorada onomatopeias, ruídos, espantos. Se preciso for para se criar uma atmosfera mágica utilizar-se até de adereços, fantasias, instrumentos, música.

O hábito de ouvir histórias não se limita a crianças ou a pessoas alfabetizadas. O simples fato de ouvi-las pode despertar o desenhar, a necessidade de teatralizar, de escrever a sua própria história, de querer ouvir novamente, de ler outros livros, de brincar e imaginar situações similares àquelas que foram escutadas, de discutir a historinha tentando desvendar o que o texto deixa insinuado etc.

Mesmo as crianças maiores podem sentir prazer em ouvir historinhas. Afinal, não ouvem rádio, veem filmes, assistem a espetáculos, leem gibis ou almanaques, escutam cds. Então? De tudo isto para o universo fantástico da leitura é um pulo. Vivemos num oceano comunicacional profundo e a leitura é parte indispensável e primordial para o desenvolvimento do processo comunicativo e de sociabilização entre os seres humanos.  A leitura firma-se como um verdadeiro passaporte para uma vida de descobertas e conquistas a todos os cidadãos dessa sociedade que se constrói diante dos nossos olhos.

 

Por Gustavo Aragão Cardoso (Professor, Ator, Escritor e Poeta. Membro do Movimento Cultural Antônio Garcia Filho /ASL)

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