Cordelistas sergipanas repudiam ataques machistas nas redes sociais

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Segundo Daniela, há um grande machismo estrutural no cordel, que remonta desde a sua origem (Foto: reprodução/ Coletivo de Cordelistas)

Cordelistas sergipanas e de outros estados do Brasil se uniram através de um abaixo-assinado para repudiar os ataques machistas que a autora de cordéis sergipana Izabel Nascimento passou a sofrer nas redes sociais nos últimos dias. Segundo a cordelista Daniela Bento, o estopim para as ofensas virtuais aconteceu após uma análise crítica contra o machismo na literatura de cordel feita por Izabel Nascimento durante o III Encontro Paraibano de Cordelistas, que aconteceu em 27 de junho.

“A partir desse dia, Izabel passou a sofrer vários ataques virtuais de pessoas que diziam não haver machismo no cordel. As ofensas contra ela chegaram a nível de desmerecer seu trabalho e talento. Sendo que eles são reconhecidos internacionalmente”, destaca Daniela Bento, que integra a Academia Sergipana de Cordel (ASC) e é líder do movimento contra o machismo no cordel em Sergipe.

Ainda segundo Daniela, há um grande machismo estrutural no cordel, que remonta desde a sua origem. “O que acontece hoje é fruto de um resquício histórico. Antigamente, as mulheres eram deixadas de lado. Elas não podiam sequer assinar suas obras”, conta. Em virtude dessa página triste da história, Daniela diz que algumas pessoas ainda nutrem um pensamento semelhante àquele que era praticado no passado. “Esses ataques demostram isso, uma forma de preconceito estampado no machismo”, avalia.

Dessa maneira, a cordelista acredita que é importante propor o debate para que ataques virtuais como estes não reverberem em agressões físicas. “Por isso, nós criamos o abaixo-assinado em 4 de julho. Precisamos propor esse debate na sociedade contra o machismo e a visão estereotipada que muitos ainda têm do papel da mulher na literatura”, salienta.

Atualmente o abaixo-assinado conta com mais de mil assinaturas. “Estamos recebendo o apoio de um grande grupo de pessoas. Inclusive alguns homens nos apoiam nesta causa. É bom deixar claro que não são todos que nos veem de maneira submissa”, destaca.

por João Paulo Schneider  e Verlane Estácio

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