Curta-SE agora é festival Iberoamericano

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Rosângela Rocha, coordenadora-geral do festival
O Curta-SE chega a sua oitava edição com um novo significado para a sigla, o festival agora deixa de ser Luso-Brasileiro para ser Festival Iberoamericano de Curtas-Metragens de Sergipe. O evento acontece de 19 a 26 de abril em Aracaju e em outras cidades do interior do Estado, como Canindé do São Francisco e Japaratuba. Outra novidade para este ano é a mostra competitiva para longas-metragens. Para falar sobre essas e outras novidades do Curta-SE, o Portal Infonet entrevistou a coordenadora-geral do festival, Rosângela Rocha.

 

Portal Infonet – Além da mudança para Festival Iberoamericano, quais as novidades para esse ano?

Rosângela Rocha – De novidade, nós teremos competição para longas, já temos pelo menos 15 inscritos. Tem a categoria vídeo de bolso, que desde o ano passado a gente já queria colocar. Nós tínhamos previsto que o celular ia ganhar uma grande janela, enquanto espaço de democratização do vídeo curto. Em termos de oficina, nós manteremos a estrutura das duas oficinas, mas uma delas será para vídeo para celular e uma para animação, porque percebemos que, no país, o gênero animação tem tido uma participação grande.

 

Infonet – Os vídeos para celular têm ganhado espaço na produção audiovisual?

RR – O mote desse ano é ‘Tudo que você vê por aí’, porque nós achamos que nossa percepção deve ir do macro ao micro, ou vice-versa, abrangendo todos os espaços possíveis. Para fazer um vídeo para celular que tem melhor qualidade de imagem você precisa ter um celular mais potente, mas você fazendo um filme com qualidade menor, mas que o conteúdo, aí também vale a pena. Na mostra competitiva, a gente pesa nessa balança o conteúdo e a qualidade da imagem. Não vamos dizer que aquela coisa da câmera na mão vale qualquer coisa, não é isso. Vale a idéia, mas há que se prezar pela linguagem, pela qualidade da imagem. O celular é a bola da vez. Como nós, em outras edições, já priorizamos o vídeo, desde o VHS até a mini-DV.

 

Infonet – Esse ano, além de Aracaju, que outras cidades participam do festival?

RR – Estância, São Cristóvão e depois mais três cidades: Canindé [do São Francisco], Japaratuba e possivelmente Brejo Grande. E se outras prefeituras se interessarem, a gente vai ampliando. Na verdade, a gente quer atingir pelo menos os oito territórios do Estado.

 

Infonet – E como será a mostra nessas cidades?

RR – Farão parte da mostra alguns filmes que se inscreveram e não passam para a seleção, mas têm a mesma qualidade. Porque a gente também prioriza uma regionalização, às vezes dois filmes de São Paulo têm condições de passar, a gente passa um dos filmes para informativa. Além disso, a gente tem uma mostra, chamada Cine Clubes Iberoamericano, são filmes de membros dos cineclubes dos estados membros da Iberoamerica. E também uma outra mostra informativa chamada DocTV Iberoamerica, que é um programa do Governo Federal, da Secretaria do Audiovisual, em parceria com a Fundação Padre Anchieta. Fora o Festivalzinho que a gente edita aqui em Aracaju, para as crianças.

 

Infonet – Como é ter uma mostra competitiva de longas num festival que se chama Curta-SE?

RR – A gente poderia ter chamado Curta-SE e dizer que era de cinema e vídeo, que contemplaria o curta e o longa. Na verdade, a gente não quer restringir. Nós tínhamos longas desde o começo, a gente só fez dar agora um estímulo, que é uma premiação. E uma premiação não só para o melhor filme, mas também um troféu para o melhor diretor, para o melhor ator e melhor atriz, por ser uma reivindicação também de atores.

 

Infonet – Como foram as inscrições?

RR – Já temos mais de 300 inscritos. Esse ano, tivemos uma restrição, acho que foi muito penoso para a gente, porque o Cine Ceará foi antecipado, ele era realizado em junho e dessa vez abriu as inscrições em novembro, Recife [Cine PE – Festival do Audiovisual] também abriu em novembro e a gente só abre em janeiro. O realizador às vezes privilegia um festival ou outro: o festival do Ceará, por exemplo, dá prêmios em dólares. Reduziram-se um pouquinho as inscrições, mas já é satisfatório. Passou de 300 está ótimo, exibimos em média de 85 a 100 filmes, ainda sobraria aí mais uns dois festivais. Já temos, inclusive, longas mexicanos inscritos. Na competitiva de curtas, a gente já tem inscrições de Portugal, Espanha e México, vamos ter filmes curtos desses países na informativa também. Começamos tímidos com o título de Iberoamericano, mas a proposta é que no ano que vem a gente vai ter uma expressão maior nesses países.

 

Infonet – E como tem sido o processo de captação?

RR – Esse é o nosso calo, na verdade. Esse processo de captação é muito sofrível, porque os empresários não têm uma cultura de investimento. Na lei Rouanet, a gente não tem um fundo que propicie também um investimento em uma lei estadual, com abatimento do ICMS; a lei municipal também não funciona. Sergipe tem dez empresas que poderiam deduzir de seu lucro real, pela Lei Rouanet, mas dizem que não têm dinheiro. E as empresas que investem ou se utilizam da lei para eventos, como Pré-Caju ou Forró Caju, que têm grandes somas de dinheiro, mas que já têm um aporte viável. Na verdade, se a gente não tivesse o apoio da Petrobras, nós estaríamos em maus lençóis, mas mesmo assim é um processo através de edital, é sofrível também, não é só chegar na Petrobras e ter o apoio. Todo ano a gente inscreve o projeto e fica rezando para ele ser aceito. Esperamos nesse ano ter um apoio muito maior do Governo do Estado e da Prefeitura.

 

Por Gabriela Amorim

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