Desmascarando – Gustavo Aragão

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Somos seres alados

Perdidos num tempo

De ais, de cão. De pão?

Nada. Só as migalhas para muitos

E o quase todo para quase nada.

Somos assim mesmo, anjos perdidos

Com as asas quebradas, presos a um chão inútil

Que não nos serve pra nada, pois vivemos a levitar

Tamanha é a dor e a angústia que nos arremata.

Para que tanto chão?

Por que tantos seixos a construir estradas?

Para que a razão demasiada,

se levitamos e temos a possibilidade de construir estradas de girassóis

ao transcendermos a física barata da matéria?

Por que tantos cálculos?

Para que tantas cifras?

Já sei! Talvez para nos reduzirmos a nada;

A um nada, nada mesmo, daqueles nadinhas que importância quase não se vê.

Para que tanta mesquinhez com a humanidade que nos pariu?

Se temos por certo que a vida que vivemos, pensando sempre no devir,

 nos escapa num estalar de tempo?

Se sabemos que um dia só nos restará pó, migalhas de ossos e cabelos empoeirados

e que vermes nos tomarão para o banquete báquico das profundezas?

 

Por Gustavo Aragão

 

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