Entrevista – Naurêa

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Patrick Tor4 e Alex Sant”Anna
Portal Infonet: Como estão os preparativos para o DVD?

Patrick Torquato: Está tudo ótimo. É muito trabalhoso para fazer um negócio desse tamanho para uma banda independente. É muito complicado porque o cenário de trabalho aqui dentro do estado pra esse tipo de produção é profissional demais. O Que quero dizer com isso é que fica complicado pra gente, que tem um formato independente de trabalho, conseguir alcançar a estrutura profissional que esse pessoal tem. De pagamentos a vista, de cachês exorbitantes… É muito longe da realidade da gente, que está acostumado com a camaradagem, com o deixar mais pra lá.Entrar numa empreitada dessa é um trabalho muito grande. Que é equivalente ao trabalho de projeção do nome da banda no país e fora dele. É um passo grande.

Alex Sant’Anna: É um parto, mas no fim a gente vai olhar pro bichinho e falar: ‘Olha que lindo’ (risos).

Infonet: O DVD não tinha saído antes por conta de uma conjuntura de fatores ou vocês estavam esperando um momento especial?

AS: Nenhum dos dois. A gente nem pensava em gravar um DVD. Nossa meta no primeiro semestre era gravar o novo CD do naurêa, com músicas inéditas, pra na próxima turnê européia em julho já levar um produto novo. Aí surgiu essa idéia em dezembro, tendo só dois meses, tendo Pré-Caju no meio, carnaval… A gente aceitou a missão e começamos a correr atrás.

Infonet: O que vocês estão esperando da gravação do DVD?

AS: Captar o que a gente sente quando a gente toca. Não sei se isso vai ser possível. Mas a gente se diverte muito, e olha para as pessoas lá embaixo todas se divertindo… A gente quer botar isso no DVD pra que quem assista se divirta também.

Patrick: E uma coisa que eu tava comentando com Alex é que a gente tem que entrar no palco e esquecer de tudo, só tocar e se divertir. Por que a gente foca muito preocupado com retorno, com todo mundo ouvindo todo mundo… A gente tem que se desligar disso.

Infonet: Como surgiu a idéia?

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AS: O Robério Xikita, de Itabaiana, deu a pilha inicial, topou e disse que ia fazer com a gente. Infelizmente ele não pode continuar mas a gente ficou tocando as coisas por aqui. Estávamos só eu e Márcio, Patrick tava em turnê como DJ, aí quando ele voltou a gente já falou, vamos gravar um DVD! Bora! (risos)

Patrick: Como todas as coisas que a Naurêa sempre fez. È sempre assim, e todo mundo corre atrás. Nós tivemos já um monte de produtor, mas nunca teve a pessoa que resolvesse tudo pela gente. Todos tem uma parcela de culpa. E sempre abre uma janela, uma porta nova.

Infonet: Mas vocês podiam ter feito uma gravação de DVD ao vivo em algum show. Por que nunca gravaram isso?

AS: A gente é muito ‘osado’ (risos). Quando a gente pensou em gravar um CD, a gente pensou que um cara no outro lado do mundo pudesse botar no player e não notar diferença de qualidade de som. Quando a gente pensou em DVD a gente tinha a idéia de gravar pra portfólio. Como um show do projeto verão, com público imenso, maravilhoso. Mas pra se ter um DVD com qualidade de som 5.1, com imagem de vários ângulos de Câmera, não dá pra gravar num evento desse, por que pra isso precisaríamos de um palco só pra gente, oito câmeras…

Patrick: É uma estrutura que a gente não consegue na ‘brodagem’. E essa estrutura de agora é complexa, profissional. O show é só nosso.

Infonet: Como está o repertório do DVD? Tem músicas novas?

AS: Essa foi uma conversa que nós tivemos. Ma como nós tínhamos pouco tempo pra música nova, preferimos o repertório do show mesmo. Tem duas músicas que a gente não gravou nunca, que são ‘Manga Verde’, e ‘Hoje Tem forró’, mas são músicas do nosso primeiro show.

Infonet: O que vem logo depois do Sambaião?

Patrick: As coisas vêm muito naturalmente, muito espontâneas. Nós fazemos muito pouca estratégia. Estamos ouvindo muita coisa, conectados com o resto do mundo, quando a gente percebe que existe um campo de convergência nós focamos. O que influenciou muito o Sambaião foi o que nós estávamos mais ouvindo, como música africana, Alex e Márcio estavam ouvindo muito ‘Buena Vista’ e música latina. Cada um vinha com uma informação, e acabou que o Sambaião veio

um mais acústico do que no último CD. Mas o segundo CD não deixou de ser forró, como o primeiro.

AS: Acho que o Samba de Roda deve influenciar mais. Então talvez o Samba comece a ficar em letras maiúsculas e o Baião menor. (risos)

Infonet: Muita gente considera o Sambaião mais comercial que o Circular Cidade. O que vocês acham?

Patrick: Acho que o primeiro disco nós não tínhamos experiência, tem todos os pecados de um primeiro disco. No Sambaião a gente foi mais coeso, conseguiu tirar arestas. È maturidade. E de repente no terceiro a gente vem mais mergulhado numa coisa. O que a gente tem no Sambaião é bem diferente do que anda sendo feito oficialmente.

Infonet: Quais são as referências musicais de vocês?

AS: Acho que a tendência seja encostar mais na ‘Timbalada’ do que em Recife (risos). A gente antes estava tendendo mais pra Pernambuco, mas agora estamos nos aproximando da Bahia.

Patrick: Eu fiz a escala das coisas que a gente pode identificar com Naurêa, no Nordeste: Dolores, Silvério Pessoa e Genival Lacerda, Chico Correia. De Belém do Pará tem o La Pupuña, que tem muito a ver com a Naurêa. Tem o Móveis Coloniais, de Brasília, que não reflete a sonoridade nossa, mas o divertir no palco.

Infonet: Qual a principal evolução percebida na banda, desde os primeiros shows até aqui?

Patrick: A gente aprendeu a tocar né? Abraão era a única pessoa que sabia tocar o instrumento que estava tocando. Lógico antes de Betinho entrar, que é um percussionista nato, sabe o que faz. Léo que é tecladista nunca tinha tocado sanfona, Aragão nunca tinha tocado cavaquinho, Alex nunca tinha tocado triângulo, Márcio nunca tinha tocado zabumba, eu nunca tinha tocado surdão, ou coisas do tipo. A gente foi aprendendo a tocar, e aprendendo se encaixando numa coisa nossa. É como deveria ser. Como outros artistas, que pegam um instrumento e tentam tirar dali um som específico seu. São seis anos insistindo, e nós aprendemos a tocar (risos).

AS: Mais uma vez a gente pode citar Tom Zé. Quando ele fala que pelas deficiências ele procurou um caminho diferente. E a Naurêa, independente de tudo, tem um som que é a nossa cara.

Legenda
Infonet: O que vocês sentem com a receptividade do público no palco?

Patrick: Prazer

AS: Felicidade

Patrick: É bom que não tem fim. O show do projeto Verão foi inacreditável, A gente começou a tocar tinham 300, depois 600, depois tinham 3.000 pessoas na frente do palco, até lá atrás e pulando, e batendo palma, cantando junto.

AS: O show de Simão Dias foi muito bom também, por que foi às 3 da manhã, e todo mundo ficou pra ver a gente.

Patrick: As pessoas estão comprando os CD´s nos pontos de venda. Está sendo muito bom.

Infonet: A criação do selo de vocês ‘Disco de Barro’, acaba movimentando o cenário. O que vocês acham?

AS: O selo surgiu por necessidade de se oficializar enquanto artista mesmo. Tem festival que só está aceitando inscrição de pessoa jurídica. Algumas lojas só distribuem CD`s bandas que têm selos.

Patrick: É muita pretensão da gente montar um selo pra fomentar o cenário musical. Não é só isso. Você só ter o disco na mão não é nada. O incentivo já é uma coisa que a gente faz, como indicar algumas bandas amigas pra festas, e comentar sobre quem tem um trabalho legal. 

Por Ben-Hur Correia e Carla Sousa

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