Especialista reforça a luta contra a Intolerância Religiosa

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Referência técnica para Povos e Comunidades Tradicionais e População Negra da Secretaria de Estado da Inclusão e Assistência Social (SEIAS),  Iyá Sônia Oliveira (Foto : Pritty Reis)

O Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa – celebrado nesta quinta-feira, 21 de janeiro, é um grande símbolo da luta contra os casos de discriminação, racismo e preconceito religioso. A liberdade religiosa no Brasil é destacada na Constituição de 1988, onde é mencionado que, “é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias”. Porém, algumas práticas e culturas religiosas ainda são consideradas um tabu na sociedade.

De acordo com a referência técnica para Povos e Comunidades Tradicionais e População Negra da Secretaria de Estado da Inclusão e Assistência Social (SEIAS),  Iyá Sônia Oliveira, a intolerância religiosa se configura de diversas formas em nosso dia a dia. “É quando não existe respeito à religião do outro. A gente chama de intolerância, mas eu falo também que é um racismo religioso, a exemplo das religiões afro descendentes, que tem suas práticas demonizadas. Tudo isso é gerado pela falta de conhecimento e educação”, explica.

Não muito diferente do cenário do Brasil, Iyá Sônia afirma que em Sergipe, a situação de intolerância religiosa às religiões de matrizes africanas ainda é muito presente, já que não são apenas as práticas religiosas que são julgadas, mas sim toda a cultura e história de um povo.

Segundo a referência técnica, é importante lembrar que intolerância religiosa é crime. “Não é um crime ‘comum’ que vamos à delegacia para registrar. Mas é um crime em que pessoas são mortas”, ressalta. “Não existe um entendimento real do porquê de tanto ódio”, completa. Aqui em Sergipe, o órgão responsável por tratar esse tipo de crime é o Departamento de Atendimento a Grupos Vulneráveis (DAGV).

A importância do dia direcionado ao combate à intolerância religiosa, para Iyá Sônia, serve para lembrar que esse crime não acontece apenas em casos isolados e que muitas pessoas morrem, se oprimem e sofrem psicologicamente devido à toda a violência e preconceito. “Conhecer e compreender que é um crime que acontece com frequência é necessário para que a justiça seja veemente em suas sentenças e os criminosos sejam penalizados”, pontua. 

Como integrante de religião afro descendente, Iyá Sônia destaca que se encontra firme e em processo de resistência ao assumir sua religião e que existem projetos em comunidades e coletivos que promovem ações de combate à intolerância religiosa de modo efetivo durante todo o ano. “Temos mais pessoas engajadas e aquelas que estão se engajando na luta, por isso estamos avançando. Ainda não somos o que queríamos em relação à sociedade, mas estamos perto do que queremos ser”, afirma.

Por Isabella Vieira e Verlane Estácio

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