Eu também vi uma rosa (um diálogo com Manuel Bandeira) – por Gustavo Aragão

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Eu também vi uma rosa

– uma rosa vermelha –

solitária num canto de jardim.

 

Sentia-se fraca e só, no mundo,

mesmo arrodeada de outras rosas 

 

Era noite enluarada,

toda a natureza, em formas e cores misteriosas,

obscura se ensimesmava.

O som dos grilos, o lamento das corujas,

o coaxar dos sapos inquietos esplendiam.

 

Tudo, por aqui, também era excesso.

 

O clarão inefável da lua,

que incidia sobre a face da rosa,

a revelava para mim numa graça essencial e única.

 

E resguardava os segredos

da vida e do homem e do mundo.

Todos, ali, resguardados, à margem do jardim,

na cândida figura da rosa, que se encontrava, ali,

plantada a alimentar-se da Terra.

 

Tão casta e Lara,

no chão,

tão distante do céu,

porém interligada pelo raio da lua serena,

residente na mística altura.

Querubins invisíveis e Arcanjos

prenunciavam as sacras palavras do porvir.
 
Por Gustavo Aragão

PS: Desejo, a todos os internautas, muita saúde, paz, progressos e realizações. E que neste Natal todos possam (re)descobrir dentro de si o verdadeiro espírito natalino, fazendo suas reflexões, suas orações ou meditações, deixando-se tomar pelo amor divino que esta data tão mágica evoca, e que este sentimento possa se prolongar até os últimos dias do ano subseqüente, quando se renovará. Queiramos para o próximo aquilo que queremos para nós mesmos e os respeitemos na sua individualidade, pois só assim viveremos em paz com a gente mesmo e com o mundo a nossa volta.

Boas Festas!

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