Feira Japonesa divulga princípios da cultura oriental

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Até dia 2 de setembro os aracajuanos têm uma opção para conhecer mais a cultura oriental. Está montada no Shopping Jardins a Feira de Cultura Japonesa, um evento itinerante que há 15 anos roda o país inteiro. Na segunda vez que vem à Aracaju, a feira traz stands para exibição de objetos, além de oficinas de ikebana, origami, shodô (caligrafia japonesa), manga.

A feira teve origem em São Paulo, onde se concentra a maior colônia japonesa do país, e é incentivada pela empresa Royal. Os participantes viajam seis vezes ao ano para diversos estados, ficando sempre nos shopping´s da cidade. “Estamos nos preparando para o centenário da imigração dos japoneses no Brasil, e a feira é uma forma de nós divulgarmos nossa cultura”, fala Neuza Kurachi, nissei, participante da feira.

A sra. Kurachi é a responsável pela oficina de sumiê, a pintura em carvão, e mantém seu stand na feira reproduzindo a caligrafia japonesa para os interessados. “O sumiê foi inventado no século XII, usando o contraste da tinta preta no papel branco. É por isso que o traçado é único, sem retoque”, comenta a nissei.

Há 14 anos participando da feira, ela diz que já está habituada às viagens e já carrega seu próprio kit-cozinha. “Aqui usa muito coentro, azeite de dendê.. E como a gente já está acostumado com a comida japonesa, eu carrego minha panela japonesa, o meu kit-cozinha”, comentou rindo.

Shiatsu – massagem para manter a saúde

O stand de shiatsu dentro da feira é um dos mais visitados. A massagem milenar é derivada do do-in, e utiliza a pressão dos dedos para pegar vários pontos no corpo. O objetivo é aliviar dores e sintomas e promover o equilíbrio orgânico e energético. Segundo os princípios da técnica os pontos do corpo têm ligação com os órgãos internos.

“Quem vem e recebe uma vez, acaba retornando e trazendo amigos, familiares… O resultado é imediato”, garante Junji Misawa, responsável pelo stand de shiatsu. “Muita gente acha que massagem é só pra receber quando se está com dor, mas depois percebem que é uma forma de prevenção. Lá no Japão tem pessoas que vivem mais de cem anos, também por causa da massagem. É uma forma de cuidar da saúde”, comentou Junji.

No stand há cadeiras para o que chamam de Quick Massage (massagem rápida), onde as pessoas ficam na posição fetal, totalmente apoiadas e soltam toda musculatura. A idéia é não perder tempo e cuidar da saúde. “É uma massagem para os tempos modernos”, conclui Misawa.

Origami – dobradura como meio de disciplina

Buda gigante para oferendas na feira. Cada moeda jogada é um desejo. O dinheiro arrecadado vai ser doado para um instituição carente.
Há algum tempo que o ocidente tem contato com a técnica do origami, a arte de dobrar o papel procurando novas formas. Poucas pessoas sabem dos benefícios que a prática dessa arte (só aparentemente simples) pode trazer, como terapia, meio de auxiliar o ensino da geometria, e auxílio no desenvolvimento infantil na coordenação motora, criatividade, concentração e visão aérea-espacial.

Sentada calmamente, a sra. Miyoko Takahashi mostra seu trabalho, que não está completamente exposto no stand. “É um material pouco valorizado. Eu acho que a gente tem que levar em frente esse trabalho, por que a partir de um quadrado a gente consegue muitas formas”, comenta a descendente que está na feira há 13 anos.

“Na parte educativa os governos deveriam incentivar os professores a entender essas técnicas, por que é um meio de fornecer disciplina aos alunos. Além disso na formação das figuras hexagonais e octogonais elas conseguem analisar os ângulos. É um instrumento valioso”, sugere Miyoko.

Mangá – como seria você em um personagem de anime?

A possibilidade de interação na feira é imensa, e uma dessas práticas está no stand de Mangá, onde o visitante pode pedir para que o desenhem como um personagem de Anime. A técnica nasceu durante a Segunda Guerra Mundial e foi difundida através dos desenhos televisivos e das revistinhas, principalmente nos anos 80. Aquírio Vieira é um dos poucos não-descendentes de japonês na feira, mas um apaixonado pela cultura e pelo mangá.

“É bom que nosso trabalho quebre o estigma de que japonês não gosta de brasileiro (risos)”, comentou Aquirio. Ele, que trabalhava numa escola de desenho em São Paulo, largou tudo há três anos para acompanhar a feira. “No Japão tem mais de 4.000 linhas de anime, que a gente consegue diferenciar pelo detalhamento e pelo traço”, comentou.

Surpresa com Aracaju

“O mais interessante aqui em Aracaju, é que, embora não haja uma grande colônia, já vieram muitas pessoas falar comigo em japonês. As pessoas gostam de estudar a cultura e o idioma”, comentou Tarcísio Nakashima, responsável pela parte de confecção de roupas na feira. Com ele encontramos os tradicionais hobpis (roupões japoneses) a camisas usuais com a linha oriental. 

“Nós fomos super bem recebidos, e as pessoas tem sido muito atenciosas conosco, levaram até pra comer caranguejo (risos)”, falou Neuza Kurachi.

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