Filmes de arte atraem bom público em Aracaju

0

Roberto Nunes, produtor cultural da área de difusão de audiovisual
O projeto Cinecult, da produtora Cine Vídeo e Educação, que teve início em 2004, já se firmou no cenário cultural de Aracaju e para comemorar um ano e 59 filmes exibidos será promovida a Virada Cinematográfica. O produtor paulista Roberto Nunes é a pessoa que está por trás desta iniciativa que contempla os expectadores sergipanos que gostam de um bom filme de arte e de produções que estão fora do circuito hollywoodiano. Por conta do bom resultado do projeto o Cine Cult hoje acontece não só em Aracaju mas sim em 11 cidades brasileira, dentre elas Manaus, Natal, São Paulo, Florianópolis, Goiânia e Salvador. Para falar um pouco da história, dos desafios e das conquistas do Cine Cult nesses 12 meses o Portal Infonet conversou com o Roberto, numa entrevista que você confere agora.

Portal Infonet – Conte um pouco da trajetória do Cinecult até agora quando completa um ano.

Roberto Nunes – Cheguei em Aracaju em 2004 e como já trabalhava em outros projetos com o Moviecom em São Paulo resolvi propor a idéia para o cinema e eles me cederam só uma sessão no sábado e domingo só que ficou muito difícil de manter projeto e naquela época sempre tivemos interrupções por conta dos encargos.  Às vezes as distribuidoras queriam a garantia mínima de renda, pagávamos em media R$ 350 e isso não dava na bilheteria, tínhamos que tirar do próprio bolso. Para continuar só se a gente tivesse um filme em semana em cartaz. Fizemos a proposta de ficar em cartaz mais tempo e o Moviecom não aceitou, então apresentamos para o Cinemark que topou, e conseguimos até uma sessão com um valor promocional, o que tem atraído bastante o público, já que em outros lugares se paga até R$ 15 para assistir a um filme de arte.  

Imagens de “Batismo de Sangue”
Infonet – A receptividade do público tem sido boa?

RN – Nós temos uma média de 500 a 600 pessoas por semana, que dá uma média maior que muitos filmes em cartaz. E tem algum filmes como foi o ‘Batismo de Sangue’ que teve 1124 expectadores em uma semana, que dá uma média por sessão maior que alguns blockbusters. Nossa media é alta mais a renda é pequena porque cobramos um valor promocional pelas sessões. Como a distribuidora tira 40% da renda ela gostaria que cobrássemos mais.

Infonet – Como você classificaria o perfil deste público.

RN – O público é mais adulto na faixa dos 35 a 50 anos, muitos profissionais liberais, médicos, advogados, professores, estudantes, aposentados, o público é muito eclético. Tem desde a garotada do ensino médio até a pessoa da terceira ideda. Mas depende muito também do filme.

Infonet – O quê tem atraído tanta gente para as sessões dos filmes do Cine Cult?

RN – O interesse e a curiosidade de ver filmes diferentes dos que são exibidos normalmente. Se você pegar a programação normal do cinema no Brasil de forma geral é dominada pelo cinema norte americano, você tem os grandes blockbuster como o Indiana Jones, o Homem Aranha, Hulk, são grandes lançamento. Os que são exibidos no Cine Cult fogem a esse padrão.  

Infonet – Como e quem faz a programação?

RN – Eu mesmo que seleciono os filmes. Para isso tenho que ficar atento aos festivais que estiverem acontecendo. Vou agora assistir a um festival no Rio de Janeiro, onde vai ter a pré-seleção de uns filmes e a distribuidora já informou que vai apresentar lá vários lançamentos. Quando o filme é lançado aí é uma luta para a gente conseguir trazer para cá, tem uns que são lançados com apenas uma cópia. Eu ligo para a distribuidora ela manda para o primeiro cinema e depois o filme roda os demais cinemas através de uma transportadora. Então eu participo de todas as etapas.

Infonet – Quais os projetos futuros que você tem para o Cine Cult?

RN – Temos interesse de fazer uma parceria com o Governo e fazer programações voltadas para estudantes e educadores, com capacitações, material de apoio. Acho que o áudio-visual tem uma importância muito grande para poder ser usado no processo educativo. Temos vontade de fazer projetos voltados para públicos específicos, mas sempre esbarramos nas dificuldades de acesso às cópias. Além disso, estamos planejando lançar um site.

Por Carla Sousa

Comentários