Judy Carmichael abre o Jazz Festival Brasil 2008

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A primeira apresentação do Jazz Festival Brasil 2008, em Aracaju, acontece nesta quarta-feira, 10, no Teatro Tobias Barreto, com a apresentação da pianista americana, Judy Carmichael, que é considerada a embaixatriz do evento desde 2005, ao se apresentar no festival em Belo Horizonte.

Indicada ao Grammy, é uma das principais intérpretes dos estilos stride e swing. Count Basie a apelidou de “Stride”, reconhecendo seu grande domínio nesse estilo, que exige técnica e preparação física. Outra antiga fã é Sarah Vaughan, que a encorajou para gravação do seu primeiro álbum “acompanhada”, que ela o fez com integrantes da banda de Basie.      

Considerada pelos críticos como “impressionante, irrepreensível e cativante” (jornal The New York Times), Judy já se apresentou com Joel Grey, Michael Feinstein, Steve Ross e os Smothers Brothers, e em locais como Carnegie Hall (NY) e Museu Peggy Guggenheim (Veneza). Além disso, participou em seu país de inúmeros programas de rádio e tevê e se apresentou em shows fechados para figuras notórias como Rod Stewart, o ator Robert Redford e o presidente norte-americano Bill Clinton.   

Confira abaixo a entrevista com a pianista:

Jazz Festival Brasil – Você tem uma relação de grande carinho com o Brasil. Tornou-se amiga do escritor Fernando Sabino e também já se apresentou com Tom Jobim. Como se deu esse encontro?

Judy – Fernando já foi diversas vezes a Nova Iorque para me ver se apresentar e escreveu bastante a meu respeito. Ele me convidou para se apresentar no Rio de Janeiro e eu fui em 1998. Já no Rio, ele então organizou um encontro meu com Oscar Niemeyer e Tom Jobim. Eu passei uma tarde na casa do Niemeyer, almocei com ele e tive o prazer estar lá com meu amigo Bill Lacy. Coincidentemente, Bill é a “cabeça” do Pritzker Architecture Prize, exatamente o prêmio que o Niemeyer havia ganhado naquele ano. Durante essa visita, eu não me apresentei com o Tom, mas passamos a tarde juntos, eu sentada próxima a ele no piano com um tocando para o outro. Foi uma das experiências mais incríveis da minha vida e uma das coisas que os meus amigos músicos americanos mais invejam, pois todos o reverenciam. Tom e eu nos encontramos outras vezes depois em Nova Iorque.

Jazz Festival Brasil – Você já conhecia algo de música brasileira antes desse encontro?

Judy – Sim, especialmente Tom Jobim e Stan Getz. Eu também fui amiga da cantora Sarah Vaughan que gravou com muitos músicos brasileiros e, por meio dela, conheci grandes artistas.         

Jazz Festival Brasil – Quais artistas brasileiros você aprecia?
Judy – Elis Regina, Luiz Paulo Simas, João Gilberto e amo as composições do Nazareth. Eu estou aprendendo algumas delas. A lista é grande demais para eu citar todos. Eu diria que sou apaixonada pelo Brasil, pela música e pelos brasileiros.

Jazz Festival Brasil – Quais são seus artistas favoritos de jazz?

Judy – Tenho muitos. Amo as big bands antigas, os grandes artistas de stride, Fats Waller, Earl Hines, Art Tatum, Wynton Kelly, Jimmy Rowles, Basie e esses são apenas pianistas! Cantores de jazz que amo: Peggy Lee, Sarah Vaughan, Ella, Tony Bennett. 

Jazz Festival Brasil – Por último, mas não menos importante, qual o artista ou álbum de jazz que você ouviu e daí decidiu ser músico também?

Judy – Count Basie com Benny Moten”s Band.  A melodia:  “Prince of Wales”. Eu devo tudo a essa gravação. Essa foi a primeira vez que ouvi stride piano, o estilo de jazz que teve mais influência sobre minha forma de tocar.

Fotos e matéria: Divulgação

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