Marcelo Camelo fala de música e carreira

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Talentoso e monossilábico, Marcelo Camelo prefere cantar a falar. O cantor de 30 anos, que muitas vezes embalou os fãs aracajuanos em shows com os Los Hermanos, volta aos palcos da capital sergipana pela primeira vez em sua carreira solo na noite de sábado, 4. Antes da apresentação ele, que é um dos mais celebrados compositores da nova geração da música popular brasileira, bateu um rápido papo com a equipe de jornalismo do Portal Infonet

Portal Infonet – Seu novo CD chama-se “Sou”. Você é tudo aquilo que nele é cantado?

Marcelo Camelo – Não, mas tudo aquilo que nele é cantado sou eu.

Infonet – Percebe-se que o amor e a solidão são temas recorrentes nas suas composições, é o caso de “Janta”, por exemplo. Como você define a relação entre esses sentimentos?

MC – Eu não escolho o que é tema de música pra mim ou não. O tema, qualquer tema, salta à frente. Não dá pra dizer pro coração: “vamos escrever sobre saudade hoje?”. É ele quem diz pra mim. E não quer dizer que eu só penso naquilo que escrevo. Vai ver são as coisas que eu estou tentando vencer, ultrapassar, conquistar. Mas o tema me ocorre sem fazer força. Aliás quanto menos força melhor. Sobre amor e solidão eu prefiro falar do jeito que falo no disco.

Infonet –
Você deve estar estupefato de tanto ouvir essa pergunta, mas os fãs de Sergipe querem saber: afinal, quando os Los Hermanos voltam à rotina de shows?

MC – Não sabemos

Infonet – Carreira solo é recomeçar do zero, mesmo você já sendo um nome consolidado na música brasileira?

MC – Sim, pra mim é uma espécie de recomeço.

Infonet – A banda era muito querida do público aracajuano, vocês chegavam a fazer quatro shows em um único ano na capital de Sergipe e agora você retorna com esse novo trabalho solo. Há alguma peculiaridade em tocar fora das grandes capitais? Há um receio também em ver como seu trabalho em nova fase será recebido?

MC – Essa expectativa cerca a vida de qualquer artista.  Como vou ser recebido, e se o show vai ser legal. Sempre há uma vontade das coisas darem certo. Mas não se traduz em receio porque não dialoga com os motivos de eu fazer o que faço. São coisas de naturezas diferentes.

Infonet – Você já declarou que não suportava rótulos, que música precisa ser boa e ponto. Até citou que se emociona ouvindo Kelly Key e não sabe explicar isso, apenas tem noção de que se emociona com as batidas. Você pensa em ter músicas suas gravadas por artistas que não seguem a mesma linha musical que a sua?

MC – Eu acho que a minha música está virando pessoal a ponto de eu não querer estar na linha de ninguém. Quero traçar minhas curvas, meus desenhos livremente. Eu me sinto a vontade mesmo, de verdade, de compartilhar minha música com qualquer pessoa que goste dela.

Infonet – Comenta-se no meio jornalístico que você não é uma das mais fáceis personalidades de se entrevistar…

MC – Por alguns jornalistas também não é nem um pouco fácil de ser entrevistado (risos). Mas não se preocupe que não é uma indireta a você.

Infonet – E como é a sua relação com a crítica musical?

MC – Eu adoro o blog do Guaciara http://guaciara.wordpress.com/ e do Nilson Primitivo http://nilsonprimitivo.zip.net/. Eu adoro conhecer um artista através de um texto bem escrito e de um pensamento generoso, inclusivo.

Por Glauco Vinícius e Raquel Almeida

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