No batuque da guitarra

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Sulanca: pop rock regional
Um som bem tirado da guitarra, aliado a uma boa dose de batuques intensos e instrumentação harmoniosa. Dona de um estilo marcante, a banda Sulanca faz uma batida de pop, rock e regionalismo para trabalhar o primeiro CD na praça.

Lançado há poucos meses, o disco já tem aceitação garantida e público fiel. Batizado de ‘Megafone’, tem suas melodias assinadas por Jorge Ducci (voz e onça), Cyborg (percussão e vocais), Tom Toy (percussão e vocais), João Paulo Corró (guitarra), Robson Souza (baixo), Rafael Jr (tambor), Pequeno (percussão) e Júlio Flávio (bateria).

O álbum tem lançamento oficial marcado para o próximo dia 21, durante o Nosso Folclore, evento que pretende resgatar as peculiaridades culturais da região através da veia artística. O show acontece no Parque da Sementeira e, desde já, promete atrair fãs e curiosos.

Em entrevista ao Sergipe Cultural, o tamborista do grupo conta detalhes. Ele fala sobre o novo trabalho, relembra o caminho trilhado até o seu lançamento e revela os projetos futuros da banda. Confira.

Sergipe Cultural – A Sulanca já tem um bom tempo de estrada. Mas exatamente quando e como surgiu a banda?

Rafael Jr – Entre 95 e 97, Jorge Ducci [vocalista] idealizou todo o formato e passou a pesquisar mais profundamente os ritmos das nossas manifestações folclóricas, observando os mestres dos folguedos do interior de Sergipe. Ele filmou e gravou a forma como eles tocam, trocou experiências e conversou muito com eles, criando também um vínculo de amizade e respeito mútuo. A partir de então, chamou músicos conceituados da música popular (Pedrinho, Ton Toy, Cyborg) e do rock sergipano (Julio, Rafael, Marcos Vinícius, Hugo Leonardo), que prontamente abraçaram a idéia e deram suas contribuições nos arranjos das composições de Jorge.

SC – Por que o nome “Sulanca”? Existe algum significado e mensagem por trás dele?

RJ – O nome vem de “elanca do sul”. Elanca é um tipo de tecido muito usado nas confecções populares do nordeste, e essa matéria-prima vem das regiões sul e sudeste. É muito comum em feiras como a de Caruaru, por exemplo, que ficou conhecida como “feira da sulanca” e passou a ser um patrimônio do povo nordestino, já que virou itinerante e ganhou fronteiras. Há muitos significados e mensagens. É na feira que tem o embolador, o repentista, a mistura de raças e classes sociais, muitas cores e muitos cheiros distintos, representando de alguma forma a diversidade cultural do país.

SC – E por que este CD vem exatamente agora? O que contribuiu para isto? Algum apoio em particular?

RJ – No início da banda, foi gravado um CD experimental e promocional, para vender show e para os músicos terem mais facilidade de captar a proposta e aprender as músicas. Mas carecia de identidade e referência. A maturidade veio chegando com o tempo e passamos a saber melhor o que buscar em termos de timbres e referências na música pop mundial. Então, concluo que o disco chegou na hora certa, com a banda adulta e soando com estilo próprio. Tivemos apoio da Fundação Luciano Barreto Júnior e da Secretaria de Cultura do Estado.

SC – O disco traz alguma mensagem em especial?

RJ – Que a nossa cultura é rica e linda. O sergipano precisa se conhecer. Os grupos folclóricos estão no nosso quintal (São Cristóvão, Laranjeiras, Japaratuba, Brejão, Estância) e os nossos jovens estão com preguiça de conhecer essa batucada toda. A Sulanca tenta promover um resgate que já acontece em alguns Estados, a exemplo de Pernambuco. Outros artistas e bandas também possuem esse compromisso cultural e artístico, como a NaurÊa, Alex Sant’Anna, Maria Scombona, Nino Karva, Mingo Santana, Paulo Lobo, Membrana, Zefinha Teta Cabeluda, Kleber Melo, entre outros.

SC – Como você classificaria o novo álbum, em termos de estilo?

RJ – Eu não classificaria. É um disco de música brasileira, um disco de música sergipana, principalmente. É um disco de batucada com guitarras. Pode chamar de pop regional ou rock sergipano. Sei lá…

SC – Além dos integrantes da banda, quem mais canta no disco?

RJ – Além de Pedrinho Mendonça, que infelizmente não está mais conosco (ele gravou a maior parte das percussões e caixas, mas agora segue solo com a Membrana), gravamos uma música de Agapito, um músico de rua intuitivo que virou uma lenda popular por aqui. Ele tem ótimas canções, com uma linguagem bastante própria e peculiar. Ele canta em “Stani Rie”, um hit das FMs locais.

SC – E quantas faixas carrega o CD? Algum carro-chefe?

RJ – São 14 faixas e a música de trabalho é “Stani Rie”, que vai virar clipe brevemente e o povo sabe cantar nos shows.

SC – De quem são as composições?

RJ – Em sua maioria de Jorge Ducci, com algumas parcerias: Márcio de Dona Litinha (NaurÊa), Pedrinho Mendonça, Ton Toy e Cyborg. Fora isso, tem a música de Agapito e algumas adaptações do folclore/domínio público.

SC – Além do lançamento do disco, quais os planos da banda?

RJ – A gravação de um DVD no Parque da Sementeira no próximo dia 21 e outra grande turnê por São Paulo, como a que fizemos pelo Sesc em 2000. Foram 21 shows pelo interior paulista, uma experiência fantástica que nos mostrou o alto grau de aceitação que o som da Sulanca tem fora de Sergipe. Também pretendemos participar de festivais espalhados pelo país. Recentemente, estivemos em Garanhuns (PE) e o público adorou.

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