O folclore sergipano por quem o faz

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Os Parafusos de Lagarto na visão da artista Tânia Aguiar
No período da escravidão, os negros de uma cidade sergipana fugiam do trabalho árduo nos canaviais, roubavam as saias das sinhás e cobriam o corpo com a vestimenta. Da igreja, o padre do local viu os negros dançando envoltos aos tecidos e falou: ‘”Parecem parafusos dançando”. Sem saber, o religioso dava o pontapé inicial para uma das dezenas de manifestações populares em Sergipe.

Esta é uma lenda da cidade de Lagarto que exemplifica bem o que há de mais original na cultura do Estado. O divino e o profano se misturam na tradição dos Parafusos lagartenses e em outros folguedos sergipanos, como o Taieira, o São Gonçalo e o Reisado, proporcionando contos e apresentações que enchem os olhos de quem aprecia.

Disposição

No alto de seus 75 anos, dona Jacira resolveu deixar um pouco de lado seus bordados e aceitou o convite da amiga para ensaiar com um grupo de Parafusos. A aposentada gostou tanto que

Dona Jacira descobriu na dança folclórica uma filosfia de vida
agora pratica até o samba de coco. “Se as pessoas soubessem o quanto isso [as manifestações] é importante, valorizariam mais. Iriam prestigiar mais”, opinou, enfatizando sua tristeza em imaginar que um dia as tradições de sua terra possam acabar.

Do samba de coco também é adepta dona Rosa Nascimento, de 56 anos, que divide seu tempo entre as atividades como doméstica e os passos firmes e sonoros com as sandálias de couro. “Mesmo quem é levado pra essa “folia de folclore” desde pequeno, se deixa levar pelas coisas mais modernas”, lamentou.

Mas para a artista Tânia Aguiar, o futuro destas e outras manifestações não está tão comprometido como imaginam Jacira e Rosa. “Viajo muito pelo interior, participo de diversos encontros culturais e percebo que há sim a participação de jovens, e que estes jovens levam as crianças da familia. Na verdade, acho que o difícil é manter a tradição em sua raiz porque a cultura vai se reinventando com o tempo”, comentou.

Divulgação

Bonecos da artista evidencia cultura sergipana
O participante do grupo Peneirou Xerém, José Augusto Nunes, acredita que é preciso levar a cultura sergipana às escolas. “Temos um dia destinado ao folclore, mas o que vemos nos colégios são as referências às danças e costumes de outros Estados, sendo que temos uma riqueza aqui mesmo”, disse José, que teve sua opinião reforçada por Tânia. “É preciso divulgação”, salientou.

Em homenagem ao folclore sergipano em sua forma mais crua, Tânia Aguiar, pernambucana apaixonada por Sergipe, expõe sua coleção de bonecos que representam as tradições do Estado no Mirante da 13 de Julho, localizado na avenida Beira Mar.

Clique aqui para conhecer um pouco mais do grupo Peneirou Xerém

Por Glauco Vinícius e Raquel Almeida

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