O que fazer com os arquivos musicais?

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Edilson sonha com um Museu em Sergipe
O que fazer com aquele disco antigo de vinil ou com as já obsoletas fitas de VHF? Pensando nisso, o produtor do encontro ‘Amantes do Vinil’, Edilson da Cruz Vieira guarda uma paixão e a vontade de criar o Museu da Imagem e do Som no Estado sergipano.

“Outros estados nordestinos já possui um Museu da Imagem e do Som, porque Sergipe está desfalcado? Temos conhecimento de que muita gente tem um material antigo guardado, além de artistas locais que estão sendo esquecidos”, explicou.

O produtor também ressaltou que a criação de um Museu, possibilitará que as pessoas possam doar seus arquivos, além de proporcionar ao estudante, um maior conhecimento e contato com a memória sergipana. “O estudante não tem onde buscar esse tipo de documento e não podemos esquecer que Sergipe já tem o curso de museulogia, essa seria mais uma opção de conhecimento”, pontuou.

Disco de Elizethe faz parte do acervo do Museu da Imagem e do Som do RJ
Ainda segundo o produtor, muitos artistas sergipanos estão morrendo e com eles a sua história. “Com a morte de João Melo, por exemplo, que além de ser cantor e compositor, era produtor de grandes festivais, essa memória está sendo enterrada junto com artista”, comentou.

Edilson alertou que Aracaju deve ter pessoas que possuem arquivos, e que não sabem o que fazer com eles. “Às vezes passo pelas ruas e vejo dentro das lixeiras algumas relíquias musicais. Por que não proporcionar a essas pessoas um espaço para que elas possam doar esses arquivos?”, questionou.

Discoteca Pública

Luiz Antônio relembra a Discoteca Pública
Segundo o historiador Luis Antônio Barreto, nos anos 70, a capital sergipana possuía uma discoteca pública, que mesmo diferente de um museu da Imagem e do Som, era um espaço que guardava um excelente acervo cultural de Sergipe.

O historiador explicou que encontros como o de Laranjeiras e a festa de Bom Jesus dos navegantes eram documentadas e colocadas na discoteca pública. “Eles gravavam um ano e depois no outro para registrar a possibilidade de modificações de alterações adaptação e não apenas em eventos festivos, mas toda a vida da cidade, ela alcançava o cotidiano da cidade”, relembrou Luis Antônio.

O historiador ressaltou que apesar do nome, a biblioteca tinha uma massa de vinil, mas abarcava um leque maior de documentação fotografias, filme super oito, VTs, filme de 16, discos, fitas de rolo, fitas cassete, e todo tipo de suporte para registro e fixação do trabalho cultural.

Muitos discos antigos acabam parando no lixo
Luiz Antônio relembrou que a Discoteca Pública funcionava no espaço da biblioteca e os equipamentos poderiam ir para uma sala de audiência pública. “Tinha som direto para o auditório da biblioteca, então você fazia uma audição pública do material que achasse interessante”, relatou.

De acordo com o historiador, o espaço funcionou durante três anos, entre 1976 à 1979. “Lastimavelmente o poder público é descontínuo, muda de Governo muda tudo, acaba uma coisa acaba outra” lamentou Luiz Antônio que afirmou ainda que a Discoteca “foi uma boa experiência” porque tinha um público bom, que freqüentava.

“Era importante porque além da responsabilidade grande de documentação, existia uma organização objetiva de uma memória que podia ser consultada por qualquel pessoa, qualquer hora e sobre qualquer assunto”, informou.

Cantor será homenageado no segundo Encontro dos Amantes do Vinil
Para Luis Antônio, a criação do museu da Imagem e do Som em Aracaju, é uma proposta positiva. “Eu acho que o melhor museu da imagem do som é o do Rio de janeiro, mas lá é muito vinculada a indústria fonográfica, isso desde a casa Edson até o mais moderno e não é bem a idéia geral de uma memória”, pontuou.

Encontro

Enquanto o Museu da Imagem e do Som não vira um projeto real, o produtor Edilson Viera da Cruz realizará o “Segundo Encontro dos Amantes do Vinil’, que irá homenagear o cantor sergipano, José Augusto, no próximo dia 30 de maio, no bairro Santo Antônio.

Secult

A coordenadora de Museus da Secretaria de Estado da Cultura (Secult), Soleide Soares, afirma que não tem conhecimento de nenhum projeto dentro dessa linguagem. A coordenadora ressaltou que desde que assumiu a secretaria, encontrou um cenário de unidades fechadas e desarticuladas e que tem trabalhado incansavelmente para devolver essas instituições culturais para a sociedade sergipana, como foi o caso do Museu Histórico de Sergipe que foi reinaugurado em novembro.

Soleide ressaltou também que estabeleceu como prioridade, fazer uma releitura nos espaços já existentes, com aquisição de equipamentos, restauração de acervos e inventário, para que funcionem de forma adequada, obedecendo as normas do Instituto Brasileiro de Museus(IBRAM).

Segundo Soleide Soares dentro do planejamento está a implantação do sistema estadual de museus e a restauração dos prédios que beneficiará todos os Museus instalados no estado de Sergipe, com um alcance independente de estarem sob a tutela do Governo do Estado ou não.

A coordenadora pontuou que somente a partir desse planejamento é que será viabilizado a abertura de outros espaços, e não só da imagem e do som, mas de tantas outras linguagens na Cultura sergipana.

Por Alcione Martins e Kátia Susanna

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