Os cinemas aracajuanos sob a vigilância do DIP

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Entre o fim da década de 1930 e o início dos anos 1940, Aracaju contava com um número razoável de cinemas. Dentre eles o Rio Branco, Guarany, São Francisco, Rex, Vitória, Tupy e o cinema operário. Os cines-teatros, como eram chamados, se constituíram em espaços de diversão e informação, pois além de exibir filmes, eram obrigados a incluir em sua programação os complementos nacionais – filmes produzidos pelo Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP) para promover o Estado Novo. O órgão nacional era representado em Sergipe através do Departamento Estadual de Imprensa e Propaganda (DEIP).

As salas de cinema foram utilizadas na construção de imagens positivas para um regime antiliberal, autoritário, centralizador, marcado por um culto à personalidade do seu ditador, Getúlio Dornelles Vargas. Contudo o cinema possuía outras qualidades. Em Sergipe, por exemplo, ele também se apresentou como um local onde ocorreram várias confusões. Sair de casa para assistir a um filme propiciava interações sociais na medida em que as pessoas se encontravam, fofocavam e paqueravam nos cines.

Eram constantes as reclamações a respeito dos gritos e assobios que vinham das “gerais”. As queixas partiam dos ocupantes das “cadeiras”. Geralmente o mal-estar se dava entre os participantes desses dois grupos: os ocupantes dos assentos das “gerais” e os das “cadeiras”. Quando o cinema escurecia começava a provocação. Pessoas falavam alto, batiam os pés, assobiavam, atiravam objetos. Mas o pior é que, além disso, alguns frequentadores, que já haviam assistido ao filme, começavam a dizer o que ia acontecer. Para resolver o problema se exigia o aumento do número de policiais que deveriam vigiar as sessões cinematográficas.

Num contexto em que o mundo de amanhã se traduzia nas telas dos cinemas, esperava-se uma conduta ordeira por parte dos frequentadores dos cines-teatros. Mais do que isto, desejava-se que a massa de frequentadores fosse controlável. O DIP procurava traduzir as mensagens do Estado Novo através dos documentários e cinejornais, mas nem sempre a população aracajuana refletiu a obediência tão apregoada pelos ideais do Estado Novo.

*Doutoranda em História UNESP/Bolsista CAPES/ Integrante do Integrante do Grupo de Estudos do Tempo Presente (GET/CNPq/UFS).  E-mail: andreza@getempo.org

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