“Os quadrilheiros pedem ajuda”

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Todos os anos, a época junina é palco para grandes espetáculos de dança. Os aplausos e o suspiro de “tarefa cumprida” são a última fase de uma maratona: a de conseguir incentivos. “Para você ter uma idéia do quanto é humilhante isso, vai haver um concurso no próximo dia 3, em Queimadas, Itabaiana. 10 quadrilhas vão participar. Seu Dionízio é um senhor de 70 anos. É um guerreiro. Ele tem, simplesmente, 26 patrocinadores. Daí você diz: fantástico! Mas ele tem patrocinador de R$ 30,00. Ninguém deu mais de R$ 200,00 a ele. O que são R$ 200? Este valor não paga o cachê de uma noite de um trio pé-de-serra. Então as pessoas não valorizam as pessoas. Os quadrilheiros pedem ajuda. O quadrilheiro precisa se conscientizar de que ele não é esmole. Ele é um artista e ele fomenta a maior indústria deste Estado que é o turismo. O quadrilheiro ano sabe o quanto ele vale”, desabafa. “O problema das quadrilhas juninas não é algo isolado de quadrilha junina, é do grupo folclórico em si. É da cultura em si, é do teatro, da música. Bem, cultura torna-se uma coisa muito cara. Primeiro porque cultura não dá voto. E os políticos estão atrás é de mostrar circo para o povo. Então circo, quanto mais esdrúxulo, quanto mais barato, melhor para o político. E em cultura, você não gasta, você investe para o futuro. O político quer o retorno imediato. Eu acho que as quadrilhas só vão conseguir prosperar quando elas desatrelarem do poder público. Se você levar em consideração o governo Valadares, nós tínhamos aproximadamente 200 quadrilhas juninas, hoje nós temos na liga 80 e poucas quadrilhas. O número de quadrilhas não diminuiu. O problema é que tinha muito líder comunitário, muito cabo eleitoral que, para conseguir tirar dinheiro fácil do político dizia que ia fazer uma quadrilha. E muitas vezes recebiam o dinheiro e nem colocavam a quadrilha. E isso levou a quadrilha ao descrédito. Isso viciou alguns quadrilheiros que passaram a querer viver de quadrilha”, revela. Mas, mesmo diante de tanta dificuldade, Valadão ainda aponta o lado bom deste trabalho de formiguinha. “No entanto, viver de cultura é maravilhoso, é ser artista. O quadrilheiro precisa se conscientizar de que ele é um artista, é um bailarino. O quadrilheiro precisa se procurar seu mercado de trabalho de trabalho, precisa se profissionalizar como bailarino, ter sua DRT. As quadrilhas precisam virar empresas como algumas na Paraíba. É preciso se aprovar projetos culturais dentro das leis de responsabilidade fiscal do município, da lei Ruanê, que é uma lei federal. A lei de apoio cultural estadual do fundo de cultura do Estado. Então você veja bem, a quadrilha faz um projeto e vai capitalizar, mas as quadrilhas têm que pedir apoio”, disse. A cultura das tradições juninas sob o olhar de um apaixonado por ímãs de geladeira Maracangaia faz a diferença Vila do Forró: do interior para a capital “Um profissional completo” Por Neila Santana

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