Ponto de ilusões vocativas – por Gustavo Aragão

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É nessa tarde inquieta e fria e gris que pinta São Paulo

que canto a saudade do alto de um sótão,

onde tropeço em palavras, onde as vejo, as revejo,

entre um e outro bocejo, onde as pinto e as conformo

em instantes excelsos de criadores lampejos.

Palavras meninas se enfileiram diante dos meus olhos,

seduzem meus pensamentos, abotoam meus desejos,

e fatigado transformo-me em canto.

 

Sou ponto de escuridão e luz, agora,

no céu infinito de auroas e saudades;

deserto pleno de ilusões estelares.

Excreto por meus poros o vermelho carmim da emoção

E deixo-me absorver pela mescla da razão e do sentimento

que pulsam em mim.

Nesse instante, reduzo-me a rastros de histórias perdidas

no tempo e no espaço.

São eles pontos de partidada para o que me conduzirá

a lugar nenhum e me trará a felicidade (?)

É nesse espaço em que canto, onde tudo se encontra e cabe –

mesmo sabendo da sua “diminuta” extensão.

 

Faces de rosas encrespadas, encantadas se pintam em série,

se fazendo iluminadas em minhas lembranças taciturnas.

Sou mesmo um grão de areia perdido numa realidade

que não se sabe válida,

pairando feito orvalho doce e calmo e disperso

num vasto mundo construído de ilusões vocativas.

Por Gustavo Aragão.

 

São Paulo/SP

 

*Todos os direitos estão reservados ao autor perante a Lei de Direitos Autorais.

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