População de S. Cristóvão ainda desconhece candidatura

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Praça São Francisco aguarda chancela da Unesco em 2010
Pelo menos 55% da população de São Cristóvão está ciente da candidatura da Praça São Francisco, localizada no Centro Histórico da cidade, a Patrimônio Cultural da Humanidade. O título deve ser aprovado pela Organização das Nações Unidas para Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) em 2010.

A estimativa vem da pesquisa ‘A Praça São Francisco é do Povo’, realizada por 18 estudantes de História da Universidade Federal de Sergipe (UFS) e coordenada pelo professor Claudefranklin Monteiro.

O estudo teve por objetivo dar uma contribuição da universidade para a candidatura, que se encaminha desde 2004, buscando descobrir o nível de envolvimento dos sancristovenses para a conquista do título. A idéia surgiu da parceria entre a UFS, através da Pró-Reitoria de Extensão e Assuntos Comunitários (Proex), a superintendência do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) em Sergipe e a diretoria do Museu Histórico de São Cristóvão.

Pesquisa foi desenvolvida no entorno do Centro Histórico da cidade (Foto: Márcio Dantas)
“A idéia era fazer apenas uma enquete, em torno da pergunta principal que mostrasse a empolgação das pessoas. De nada adianta cumprir todos os requisitos da Unesco se o povo não estivesse a par e interessado na questão, que mexe diretamente com a identidade deles”, explica o professor.

Foram entrevistadas 307 pessoas, no entorno do Centro Histórico da cidade, em 4 de julho deste ano. Os resultados do trabalho serão apresentados no dia 28 deste mês, para, de acordo com Claudefranklin, dar uma resposta à população e fazê-la contribuir para a chancela da Unesco.

“Nosso trabalho consistiu na elevação da importância dessa candidatura, ou para pelo menos ‘dar um toque’. Esse envolvimento das pessoas é tão necessário quanto as outras exigências da Unesco. A identificação das pessoas com esse patrimônio é tão importante quando aquilo que ele trará em termos de desenvolvimento para a cidade”, destaca o professor.

Professor Claudefranklin reforça necessidade de divulgação

Desde que os dados começaram a ser divulgados, inclusive na imprensa com artigos dos alunos que participaram da pesquisa, Claudefranklin revela ter notado que a candidatura ganhou mais fôlego. “Percebemos que, com esse trabalho e os esforços do Governo do Estado, através da Secretaria de Estado da Comunicação (Secom), e com o apoio de veículos da imprensa, a candidatura deixou de ser apenas do povo de São Cristóvão, para ser adotada por todos os sergipanos”, revela.

Apesar do nível de conhecimento ter surpreendido o pesquisador, o número de pessoas que desconhecem ainda é considerado alto. Despertando, assim, a necessidade de um envolvimento maior. O índice esperado, em cima do que já foi detectado, é de 30%. “O ideal seria realizar um novo estudo, mas muitos avanços já são visíveis. Há muita gente envolvida já e vemos muitas coisas nesse sentido: outdoors, plotagens, discursos políticos, campanhas”, ressalta Monteiro.

Dezoito alunos entrevistaram 307 pessoas
Para atingir a meta, ele reforça a necessidade de levar ao conhecimento do público a importância do título de ‘Patrimônio Cultural da Humanidade’.

“O povo tem que se reconhecer nesse patrimônio. Precisamos de mais ações de ordem educacional, governamental, até mesmo religiosa. Enfim, um movimento que eleve a auto-estima; que eles sintam orgulho de morar numa cidade histórica e tomem consciência do que isso significa”, aconselha.

Praça São Francisco

Em 1657, os franciscanos chegaram à cidade e proporcionaram a São Cristóvão o mais expressivo conjunto arquitetônico remanescente da cidade – a Praça São Francisco. Os limites da praça são definidos pela Igreja, Convento de São Francisco e a Capela da Ordem Terceira (hoje Museu de Arte Sacra), que datam de 1693, e pela Santa Casa e Igreja de Misericórdia, o Palácio Provincial e o casario antigo. Edificada no período em que o Brasil esteve sob duas coroas, a praça guarda características que a tornam singular, única no processo de conquista e formação do território brasileiro.

*A matéria foi alterada às 11h10 deste domingo, 22, para a alteração da data de apresentação do projeto.

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