? – Por Gustavo Aragão

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Sou este que nos símbolos morre e renasce

Para pintar palavras impregnadas de desertos povoados;

 

Sou este que no amor, mar calmo e lúcido, crer,

Para a construção de um mundo mais equilibrado;

 

Sou este torto, meio sem norte, que lança o futuro

à própria sorte em busca de ser alguém que o mundo mereça;

 

Sou este que, na luz mordida pela selvageria do mundo,

Reluta, catando migalhas de luz, para construir, em mosaico, um feixe;

 

Sou alguém que não se sabe, ainda,

Nem sabe se, um dia, chegará a se saber;

 

Sou assim, um concha,

Que não se sabe premiada ou desventurada;

 

Sou o que todos são, na complexidade que lhes cabe,

Apenas sofro mais, talvez, pois, sei que nada sei e jamais de tudo saberei;

 

Sou um todo na minha condição niilista,

diante da vastidão do mundo que me transborda e daquele que suporto,

involuntariamente.

 

Sou um mundo de questões e respostas infindáveis,

Que no desejo inconsciente se afoga em busca de razão para ser e estar no mundo.

 

Sou isso mesmo que vêem: uma interrogação eterna, que busca, na palavra, o seu meio,

o seu norte, o mote e a luz, o trote.

 

Sabem as minhas mãos casadas aos meus olhos e ao meu ser, melhor do que eu e do que a minha boca. 

                            

Por Gustavo Aragão

 

●Todos os direitos autorais estão reservados ao autor perante a lei nº 9610/98, lei de direitos autorais.
 
 

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