Projeto Luzitância é premiado pelo Iphan

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Entre 230 trabalhos inscritos no Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade, do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), vinculado ao Ministério da Cultura (MinC), sete foram contemplados. Na seleta lista figura o Projeto Luzitânia, da Sociedade Canoa de Tolda, de Brejo Grande, município localizado a 137 km de Aracaju. O projeto foi premiado na categoria ‘Preservação de bens móveis’.

Composto apenas por voluntários, o projeto nasceu em 1997. Foi responsável por estaurar e manter em atividade, através de diferentes ações, um dos últimos exemplares de uma embarcação tradicional daquela região, a canoa de tolda Luzitânia, hoje tombada como patrimônio nacional pelo Iphan.

A iniciativa da Sociedade Canoa de Tolda vem promovendo melhorias nas condições de vida da população das comunidades ribeirinhas, através do estímulo à preservação do patrimônio natural e cultural da região, independente de limites geográficos. Tanto as comunidades situadas na margem sergipana quanto às da alagoana são beneficiadas pelo ‘Luzitânia’, que se transformou em símbolo de integração entre os dois lados do rio.

Para Carlos Eduardo Ribeiro, coordenador do projeto, a vitória no prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade confirma a importância que o ‘Canoa de Tolda’ tem para a região do Baixo São Francisco. “O prêmio consolida uma percepção que tivemos há quase 20 anos de que esse lugar possuía um patrimônio natural e cultural às suas margens que precisava ser preservado”, fala. “Sem dúvida o reconhecimento fortalece ainda mais a nossa opção em defender esse lugar”, finaliza.

Processo de conquista

Os candidatos de Sergipe selecionados para o Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade foram indicados por uma comissão estadual articulada pela superintendência do Iphan em Sergipe. A comissão foi presidida pela superintendente Terezinha Oliva e composta pelo secretário adjunto de Estado da Cultura, Marcelo Rangel, Ana Conceição Carvalho, Luiz Fernando Soutelo e Lenalda Andrade Santos.

Chegaram à pré-seleção da fase nacional os 81 melhores projetos, entre eles o ‘Luzitânia’, da Sociedade Canoa de Tolda, inscrito na categoria ‘Preservação de bens móveis’, um dos vencedores do prêmio; e ‘Saltério de Madeira: salvaguarda dos signos de cura e de fé de São Cristóvão (SE)’, de autoria de Lúcia Maria Pereira, na categoria ‘Pesquisa e inventário de acervos’, que chegou à pré-seleção dos 81 melhores projetos inscritos.

A Sociedade Canoa de Tolda receberá certificado, troféu e R$ 20 mil como premiação. Foi o único projeto da região Nordeste a receber o título, o que tem uma grande representatividade, segundo a superintendente do Iphan em Sergipe, Terezinha Oliva. “Ter um projeto do nosso Estado entre os sete vencedores, diante da alta concorrência, serve de estímulo para que todos os sergipanos lutem pela preservação do nosso patrimônio cultural”, opina.

O secretário adjunto de Estado da Cultura, Marcelo Rangel, acredita que essa conquista é motivo de comemoração, pois demonstra que é possível e viável que organizações e agentes culturais sergipanos que atuam para o fortalecimento das artes, da cultura e do patrimônio cultural conquistem espaço e sustentabilidade em suas ações, através de projetos inovadores e consistentes, e com isso ganhem respaldo em nível nacional e, consequentemente, representatividade e credibilidade. "A Canoa de Tolda é um exemplo bem sucedido de empreendedorismo cultural, pois além do Prêmio Rodrigo de Melo Franco, a instituição já foi contemplada no DocTV e no Prêmio Cultura Viva", completou.

Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade

Criado em 1987, o Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade é um reconhecimento a iniciativas dedicadas à proteção, preservação e divulgação do patrimônio cultural brasileiro. O nome do prêmio é uma homenagem ao advogado, jornalista e escritor que comandou o Iphan desde sua fundação em 1937, até 1968. Este ano houve um aumento de quase 30% de inscritos, com 230 trabalhos de todo o país e, destes, foram selecionados 81 para a etapa final.

Fonte: Secult

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