Rendeiras ampliam seu comércio

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Renda Irlandesa é confeccionada em Divina Pastora
Quem já ouviu falar em ‘Dente de jacaré’, ‘cocada’, ‘rendinha’, ‘aranha’ e ‘picô’? Talvez poucas pessoas saibam o que isso significa, mas quem passa pela cidade de Divina Pastora não tem como deixar de conhecer.

Os diversos pontos da renda irlandesa têm conquistado, a cada dia, novos clientes e contribuído para aumentar a renda familiar da maioria das rendeiras. “Nossas rendas são vendidas em outros Estados e também no exterior”, comentou Giselma dos Santos, de 37 anos,  que aprendeu a costurar quando ainda tinha 12 anos.

Asderen

Buscando organizar a produção da renda e a divulgação do trabalho que é realizado na cidade, as rendeiras fundaram a Associação para o Desenvolvimento da Renda Irlandesa de Divina Pastora (Asderen).

Giselma diz: “Precisamos acabar com os atravessadores”
Segundo Giselma, a associação é fundamental para a atividade que elas exercem. “Queremos desenvolver o nosso trabalho para que seja conhecido não só no Brasil, mas também no exterior, onde os clientes possam comprar direto da gente” pontuou.

Giselma ressaltou que a Renda Irlandesa já está sendo vendida fora do país por “atravessadores que se aproveitam das rendeiras e vendem as peças pelo tríplo do valor” desvalorizando as rendeiras da cidade.

Ainda segundo Giselma, as associadas estão se preparando através de cursos, na tentativa de vencer os obstáculos. “Estamos fazendo cursos no Sebrae para entender mais sobre preço, cliente e divulgação. Estamos pensando até na criação de uma página na internet”, relatou.

Algumas peças são vendidas em outros países
Exterior

Enquanto as rendeiras se estruturam com a Associação, algumas rendeiras vão buscando novos caminhos para fazer com que o trabalho seja reconhecido em outros países.

É o exemplo de Adelfilha Carvalho Machado, conhecida como Silinha. Ela é rendeira e aproveita as viagens da mãe, conhecida como ‘Dona Zú’, representante do Brasil em feiras culturais no exterior, para enviar as peças que ela mesma produz. “Minha mãe viaja sempre e nesse mês de maio ela já está na Argentina, onde tem vendido muito bem as nossas rendas”, relatou.

Segundo Silinha, sua mãe, também rendeira já ganhou vários prêmios com a Renda Irlandesa em várias cidades brasileiras.

Patrimônio Cultural

Rendeiras trabalham juntas na associação
A renda Irlandesa produzida na cidade do interior sergipano foi reconhecida em novembro de 2008 como Patrimônio Cultural do Brasil. “A renda chegou a Divina Pastora trazida por freiras irlandesas, por aqui a cidade tem uma relação religiosa muito forte. Então, elas ensinaram as pessoas daqui e o ofício foi transmitido de geração para geração”, explicou a coordenadora de cultura da prefeitura da cidade, Maria do Socorro Rocha.

Há aproximadamente cinqüenta anos, a atividade vem sendo aprimorada e segundo Socorro a evolução é visível. “Foi acrescentando alguns pontos, alguns desenhos, pois antigamente eram feitos mais enxovais e agora mudou, hoje elas fazem jogos americanos, presilhas de cabelo, capas de celular, marcador de texto, entre outros”, relatou a coordenadora.

Ainda segundo Maria do Socorro, as rendeiras ainda confeccionam peças mais tradicionais. “O bordado tende mais para o floral, para o cotidiano feminino e para o religioso. Com eles, produzem colchas, enxovais e até vestido de noivas”, comentou.

Rendeiras criam capas para celulares
Novos Desenhos

Para a estudante Adriene Santos, 36 anos, que aprendeu o ofício da renda com a tia, é importante manter a tradição, mas é necessário aprimorar sempre. “ O interesse de aprender partiu de mim, pois acho bonito, mas estou fazendo um curso de design para aprimorar a renda, criar novos desenhos e inovar”, explicou.

A estudante também pontuou que peças menores são mais fáceis de vender. “Passadeira, colcha demoram muito, então faço umas coisas menores, porque são mais rápidas e bem comerciáveis”, comentou.

Quem também passou a produzir peças menores, visando um lucro mais imediato, foi Maria Eugênia dos Santos Dorotéia, 67. “Sou aposentada mais a renda ainda me ajuda, então tenho duas lojas em Aracaju, lá só vou buscar o dinheiro”, falou sorridente a rendeira, que sobrevive do ofício.

Por Alcione Martins e Raquel Almeida

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