Roda de Leitura precisa de infraestrutura

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Maruze e Viana: incentivo à leitura (Fotos: Cássia Santana/Portal Infonet)

Com a leitura do Conto de Guy de Maupassant e de Poemas de Manoel de Barros, aconteceu nesta terça-feira, 5, mais uma Roda de Leitura, que reúne um grupo de professores, escritores e admiradores da literatura, tendo como mediadores o escritor Antonio Carlos Viana e a professora Maruze Reis. A Roda de Leitura é um evento de iniciativa voluntária que acontece mensalmente às primeiras terças-feiras do mês. O encontro vem sendo realizado, com sucesso, há três anos consecutivos, consagrando-se como um espaço alternativo para discutir textos literários.

Atualmente são 15 fiéis participantes, desde a primeira edição, mas há momentos que o encontro conta com a presença de até 30 personalidades amantes de textos literários, que incluem escritores, poetas, professores e cidadãos que contemplam a arte literária. “Nosso objetivo é ter o texto como elemento de conhecimento e prazer, trazer o que há mais de humano na literatura”, considera a professora Maruze Reis. “Os textos literários nos trazem uma identificação subjetiva. As pessoas encontram suas fragilidades na literatura e há aqueles que consideram este espaço como uma terapia”, revela.

Público se encanta com Roda de Leitura

É também um momento que se produz conhecimento. “Ninguém conhece os autores contemporâneos. As pessoas estudam literatura e vão até o romantismo, geralmente não passam disso. E aqui nós trazemos os clássicos, fazendo um paralelo com o contemporâneo. Não gosto de restringir. Toda vez que se restringe, empobrecemos”, avalia a professora.

Sem incentivo

Apesar de consolidado, o espaço é precário, na ótica do escritor Antonio Carlos Viana. “A biblioteca pública (onde são realizados os encontros) está se acabando e ninguém dá a atenção devida”, comenta o escritor. “Aqui no verão é insuportável: o ar condicionado não funciona e as cadeiras estão todas quebradas”, denuncia. “Se houvesse um espaço com uma estrutura adequada, estes encontros aconteceriam semanalmente”, diz. Na perspectiva, conforme adverte a professora Maruze Reis, de levar os debates para as salas de aulas, de forma a incentivar o alunato a se interessar pela leitura enquanto mecanismo de conhecimento, entretenimento e prazer.

Concentração e liberdade de opinião

O escritor Antonio Carlos Viana garante que há outros grupos interessados em coordenar outras Rodas de Leitura, mas acabam desistindo devido à falta de apoio logístico. O interessante é que as pessoas leem, emitem opinião sobre os textos propostos sem receber censura. “Todos falam livremente sem se incomodar se está errado ou não e ninguém censura, é uma literatura livre”, comenta o escritor. “Todos falam, avaliam e até agora ninguém disse besteira”, brinca.

Nota do Governo

Procurada pelo Portal Infonet, a Assessoria de Comunicação da Secretaria de Estado da Cultura (Secult) esclareceu que a atual gestão tem consciência de que a Biblioteca Pública Epifânio Dória necessita de ampla reforma estrutural para melhor servir aos usuários e abrigar o acervo literário. “O investimento necessário para a revitalização e modernização do prédio é de aproximadamente R$ 1,5 milhão e foi incluído no Plano de Recuperação das Unidades Culturais de Sergpe, documento produzido pela Secult e entregue ao secretário executivo do Ministério da Cultura (MinC), Vitor Ortiz, durante a sua passagem por Sergipe no último mês de junho”, diz a Nota enviada pela assessoria ao Portal Infonet.

A assessoria reforça ainda que, dentro das condições possíveis, a atual gestão da Secult tem desenvolvido ações que beneficiam o público da Biblioteca Pública, como a promoção do Mês do Livro Infantil, compra de novos equipamentos de informática para a área administrativa, início do processo de digitalização do acervo e aquisição de aproximadamente dois mil novos livros no último ano, este último considerado um grande passo, tendo em vista que a BPED não recebia livros do poder público há 22 anos.

Por Cássia Santana

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