Será que os grupos podem acabar?

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“Quando se percebe diferentes gerações em grupos folclóricos o saber está sendo transmitido. As gerações mais velhas estão conseguindo passar para os jovens o conhecimento, a técnica, todo o conjunto de saber necessário para que o grupo tenha continuidade”. Foi assim que a antropóloga Beatriz Góis respondeu a pergunta inevitável.

 

Para ela, não dá para fugir das mudanças, até porque os grupos têm que atender aos anseios da sociedade, além de incorporar temas novos. A historiadora Aglaé Fontes também tem esperança que os grupos não morram, mas acha que o risco existe. “Eu me preocupo muito com a morte dos mestres. As gerações que vêm atrás nem sempre querem continuar por causa de novos interesses”, lamenta.

 

“Quando não há crianças e jovens engajados no processo, a tendência é que quando esses velhos desaparecerem esse saber vá com eles”, acrescenta Beatriz Góis. No entanto, ela ressalta que existe um fenômeno muito novo na sociedade, que é o surgimento de grupos folclóricos da terceira idade, geralmente criados por entidades, a exemplo do Serviço Social do Comércio (Sesc).

 

HERANÇA – A família é uma vertente importante no processo de continuidade dos grupos. Prova disso é o exemplo visto no grupo dos Bacamarteiros de Carmópolis. O chefe do grupo, Idenfonso Cruz Oliveira, aprendeu a brincadeira com o pai. Então ensinou a arte para a filha, Ciléia Oliveira, de 31 anos, que já permite que um dos filhos, Cleisson, de 7 anos, atire com o bacamarte.

 

“Um povo sem cultura é um povo sem passado. Não tem como os Bacamarteiros acabarem porque as novas gerações estão se interessando”, comemora Ciléia. A diretora do Departamento de Cultura da Secretaria de Cultura e Turismo de Laranjeiras, Isaura de Oliveira, lembra ainda que os grupos mirins são uma boa forma de perpetuação da cultura popular.

 

COMO PRESERVAR – Tanto os que estão na linha de frente dos grupo quanto os que pesquisam o assunto têm uma opinião unânime: a escola deveria ser a grande incentivadora e disseminadora dos assuntos ligados ao folclore.

 

“Sou de origem humilde e estudava em uma escola de pescadores, onde sempre tinha uma semana na qual os professores da história do Brasil e da nossa cidade. Hoje em dia, são poucas que fazem isso”, critica o presidente da Associação dos Grupos Folclóricos de Laranjeiras, José Ronaldo de Meneses, o Zé Rolinha.

 

A historiadora Aglaé Fontes diz que as escolas devem criar grupos, pesquisar e documentar o trabalho folclórico realizado nos municípios de Sergipe. Porém, faz um alerta. “As escolas têm que ir no caminho certo. Às vezes, transformam o grupo em um espetáculo, mudando as roupas e as músicas”, enfatiza.

 

Por Janaina Cruz
Da redação do Portal InfoNet

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