Simone diz que novo disco traz mensagem de amor e paz

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Cantora falou sobre processo de composição do último disco (Fotos: Portal Infonet)
Os aracajuanos poderão conferir a grandiosidade da cantora Simone em mais um espetáculo. Diferente do último show realizado no réveillon, agora ela traz a turnê ‘Simone – Em boa companhia’, que foca o último CD de inéditas da cantora, depois de cinco anos, intitulado ‘Na Veia’. A apresentação única ocorre no Teatro Tobias Barreto nesta quarta-feira, 7, às 21h.

A intérprete chegou a Aracaju nesta terça-feira, 6, e recebeu a imprensa local para uma entrevista onde falou do processo de composição do novo CD – cujo propósito principal é falar de amor -, de como vai ser o show na cidade e até de uma possível gravação de DVD em terras sergipanas. Confira abaixo o resultado do bate-papo.

Portal Infonet- Como é que o seu mais recente álbum, ‘Na Veia’, foi concebido?
Simone – O CD, quando comecei a fazer, pensei em fazer um disco de amor. Literalmente de amor. A única preocupação era a de fazer uma coisa alegre, pra cima, não queria nada que fosse denso. Queria só coisa boa. Aliás, continuo querendo. Fui pedindo para os compositores – e mesmo alguns que eu nem cheguei a dizer o que queria já mandaram para mim uma música dessa maneira. Fui pedindo a todo mundo:

Erasmo Carlos, Martinho da Vila. E as coisas que eu queria regravar, já estavam separadas. O espírito das pessoas também já estava preparado. Talvez porque elas estivessem me vendo daquela maneira, querendo passar, também, as suas vontades, suas idéias, através da minha voz.

Infonet – E quando você ouviu o álbum pronto, sentiu que o resultado havia lhe agradado?
Simone – Sim. O ‘Na Veia’ é um disco todo para cima, é amoroso, livre. Ele traz uma mensagem de amor e paz, de vontade. Eu sempre fui uma pessoa feliz, contente. Não sei se foi a proximidade dos 60 anos. O que eu queria, realmente, eu fiz.

Infonet – O show que você realizou em dezembro, aqui na cidade, em pleno réveillon, difere muito do que será apresentado amanhã?

Simone – É diferente já pelo local, porque uma coisa é você fazer um show na praia, em local aberto, e fazer no teatro. Dessa vez eu vou apresentar todo o disco e ele vem entremeado com músicas que gravei há algum tempo. Não vou cantar nada que eu tenha cantado nos três últimos shows. Canto, agora, músicas que eu não estava cantando, tipo ‘Face a Face’, ‘Ai, ai, ai’ e músicas de outras pessoas que eu já tinha muita vontade de tocar, como ‘Certas Coisas’, do Lulu Santos, canto coisas da Rita Lee, do Roberto. O tempo inteiro ele fala do amor, do desejo, da paixão.

Infonet – Foram cinco anos sem lançar um CD de inéditas. Por que esse hiato?
Simone – Não tem um porquê. Eu fiz um trabalho com o Ivan, de músicas inéditas dele com parceiros, foram 13 músicas. Em seguida, veio o DVD do baião, isso já demanda mais um ano, um ano e meio. Depois veio uma brincadeira minha com a Zélia Ducan, de nos juntarmos e fazermos um show que gerou um CD e um DVD, e isso levou mais um ano e meio. E aí, cinco anos. Foi muito rápido. Hoje em dia é muito diferente gravar um álbum. Antigamente você gravava um disco, lançava no final do ano e quando chegava na metade do outro ano você já estava escolhendo repertório para um novo disco. Era uma loucura. Mudou muito.

Infonet – Você tem acompanhado como a cena musical brasileira vem se movimentando, o que vem sendo produzido no Nordeste, por exemplo, posto que sua origem é baiana?
Simone – Não dá tempo de acompanhar, porque é muita coisa. Eu sei que rola muita coisa boa. Eu ouço o que toca no rádio. O Brasil é muito grande, então às vezes você acaba ouvindo coisas completamente diferentes do que há em São Paulo e no Rio. Mas isso é maravilhoso, é genial. É claro que os compositores da minha geração continuam fazendo coisas incríveis. A linguagem não é mais a mesma, porque é diferente de você pegar, de repente, uma Maria Gadú. Caetano, o Chico e Gil, por exemplo, não escreviam como escrevia Pinxinguinha, Noel. Tudo tem a sua época.

Infonet – Alguns dos seus CD’s foram gravados só com canções de um único compositor. Tem alguém que você gostaria de gravar e ainda não teve oportunidade?

Show será diferente dop que foi apresentado no réveillon (Foto: Divulgação)
Simone – Ah, sim, muita gente. Eu queria muito cantar Caetano, cantar Marina. É tanta música que quando eu vou gravar nem dá para se preocupar muito com música inédita. Porque cada pessoa dá a sua interpretação, cria a sua música, o seu jeito de cantar. Mas há uma certa cobrança sempre de querer músicas novas, principalmente do compositor, não necessariamente da cantora.

Infonet – Daqui de Aracaju você levará o show a Recife, onde gravará o DVD dessa turnê. Há a possibilidade de um projeto desse ser executado aqui?
Simone – Só depende de Aracaju. Eu quis vir aqui. Quem escolheu Aracaju fui eu. Porque como eu só tinha feito o réveillon, que não tem nada a ver com esse show. Nós íamos sair direto do Rio para Recife. Já fizemos Salvador, Maceió e porque pular? Vamos fazer Aracaju amanhã e já gravar o DVD no sábado. Porque a segunda etapa a gente vai lá pra cima, como Manaus, etc.

Infonet – E como você enxerga essa nova fase por que a música passa de enfrentar a internet, os downloads?
Simone – Não tem como parar. É aceitar e pronto. Até hoje eu só baixei uma música, porque eu queria saber como era e depois não quis mais. Para os compositores é muito ruim. Para os cantores é muito ruim. Deveria ser uma coisa boa para ambas as partes, tanto para quem baixa, quanto para quem compra. Porque não somos só nos. Eu canto, tem o engenheiro de mixagem, os músicos, os técnicos, e essas pessoas chegam a ficar três meses fazendo um disco, porque dá trabalho. Você não come bem, não dorme bem, fica angustiada, insegura, aí de repente você vê alguém que não fez nada estar com o disco até antes mesmo de você. O rumo que a internet tomou não tem como segurar. É justo você comprar. Deveria ser uma coisa meio a meio. É porque é tudo muito fácil.

Por Diógenes de Souza e Bruno Antunes

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