Uma vida dedicada ao São João

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Ele é bancário, mas há 25 anos dedica a vida a uma das manifestações culturais mais fortes do nosso Estado. Apaixonado pelo São João, Célio Torres é o presidente da Liga das Quadrilhas Juninas de Sergipe (Liquajuse). Hoje, a Liga conta com 68 quadrilhas filiadas, mas Célio acredita que existem no Estado mais de 150. Célio foi componente da Quadrilha Carcará, já desativada, e passou também pela Forrobodó. Nesta entrevista exclusiva concedida ao Portal InfoNet , ele fala sobre o 3º Campeonato Nordestino de Quadrilhas, que vai acontecer em São Cristóvão, e lamenta a falta de patrocínio.

 

PORTAL INFONET – Qual a grande novidade este ano para as quadrilhas?

CÉLIO TORRES – É o 3º Campeonato Nordestino de Quadrilhas, que vai acontecer nos dias 9 e 10 de julho, em São Cristóvão. Na verdade, Sergipe foi escolhido por sorteio. Em 2003, o campeonato foi na Paraíba e no ano passado em Fortaleza. A União Nordestina de Entidades de Quadrilhas Juninas, a Unej, trará oito quadrilhas do Nordeste e mais duas serão de Sergipe.  A pré-seleção de Sergipe acontecerá de 1º a 8 de julho, no Eduardo Gomes, e só vão participar as quadrilhas do grupo Especial. Teremos, ainda, mais duas quadrilhas convidadas, uma de Natal e outra de Brasília.

 

INFONET – Como estão divididas as quadrilhas sergipanas?

CT – Temos quatro grupos. O mais importante é o Especial, no qual estão as quadrilhas melhores, as mais tradicionais. Já o 1º Grupo são quadrilhas também boas, mas que não conseguiram subir. No 2º Grupo estão as novas e ainda existe o Mirim, composto pelas quadrilhas de crianças.

 

INFONET – E existem muitas quadrilhas de crianças?

CT – Isso é um fato lamentável. Chegamos a ter 12 quadrilhas no Grupo Mirim. No ano passado foram oito. E este ano, a previsão é que tenhamos apenas três ou quatro por falta de apoio. Na realidade, acho que não vai existir nem concurso, só apresentações.

 

INFONET – Qual o perfil das quadrilhas?

CT Elas, geralmente, são formadas em bairros, por pessoas que já estão no meio e acabam fundando uma quadrilha nova entre amigos. A maioria dos componentes são estudantes, universitários e até gente com mais de 30 anos. Muitos deles não têm como arcar com os custos.

 

INFONET – Quanto custa manter uma quadrilha?

CT – As do nível Especial gastam de R$ 10 mil a R$ 20 mil a cada São João. Isso só com vestimenta e trio. Sem contar o transporte. O conjunto com triangueiro, zabumbeiro, sanfoneiro e cantor não sai por menos de R$ 5 mil.

 

INFONET – E como as quadrilhas fazem para conseguir esse dinheiro todo?

CT – Deveríamos ter um apoio financeiro-cultural dos governos através das leis municipais e estaduais. Mas isso não funciona. Se as leis estivessem em vigor, poderíamos fazer projetos e captar dinheiro para que as quadrilhas não se prejudicassem, como está acontecendo agora. Então, procuramos empresas privadas. A Liga já chegou a ter 200 quadrilhas filiadas.

 

INFONET – Como estão as quadrilhas de outros Estados quando comparadas as de Sergipe?

CT – Em outros Estados, as Ligas são muito mais recentes e têm uma quantidade bem maior de filiadas. Na Paraíba mesmo são mais de 300 quadrilhas filiadas à Liga. Sergipe está ficando para trás. Isso é péssimo. Estou muito preocupado com as quadrilhas daqui porque as mais tradicionais estão desanimadas. Penso que daqui a cinco, oito anos, elas vão acabar por falta de estímulo dos governantes.

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