Vendas de fogos ainda estão baixas

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“O tradicional São João está acabando”. Foi assim que o presidente da Associação de Barraqueiros de Vendas de Fogos, Jorge Rocha, referiu-se a festa ao ser questionado sobre a expectativa de comercialização do produto para este ano. Segundo suas contas, a venda caiu em 40% em comparação ao mês de maio do ano passado e não vê grandes expectativas para o próximo mês. “Acredito que iremos vender cerca de 60% do que negociamos no ano passado”, disse.

Desanimado, o comerciante lembrou que as festas não são mais as mesmas e que hoje em dia o interior só agrada ao público quando traz bandas e cantores de renome nacional. “Como a cidade não tem dinheiro para fazer uma festa grandiosa, sem auxílio dos governos fica a mercê deles. Então, um ano temos uma enchente de pessoas num determinado interior, no próximo ano a grande festa é em outro lugar”, disse ele, recordando que há alguns anos as atrações eram divididas e o público também.

“Para nós que vendemos fogos é interessante que tenha o maior número de festas possíveis, mas também estou pensando no valor dado aos pequenos trios de forró de pé-de-serra e na qualidade, porque tem lugar que não dá para andar direito quanto mais dançar. Até as programações não são mais as mesmas”, reclamou ele, explicando que aqueles comerciantes que possuem empresas e vendem diretamente para as prefeituras são os que ainda conseguem um bom lucro com o negócio.

Para comprovar que o negócio anda em baixa, Jorge Rocha informou que diminuíram duas barracas instaladas na Coroa do Meio em relação ao ano passado, apesar de existirem mais algumas em bairros mais afastados. “Ano passado, éramos 30, hoje somos 28. Já chegamos a ter aqui 140 barracas, era muito bonito. Mas muitos saíram do ramo e a maioria aqui trabalha como uma forma de complementar a renda familiar”, disse ele, lembrando que elas são armadas por dois meses em junho e por um em dezembro. Rocha diz ainda que a expectativa para o próximo ano é mais positiva, já que será ano de eleições estaduais e também de Copa do Mundo.

Ilza comercializa fogos há 31 anos
Mesmo concordando que o movimento está fraco a proprietária de uma das barracas de fogos da Coroa do Meio, que comercializa os produtos há 31 anos, Ilza Santos, inspirada na sua experiência, acredita que no mês de junho as vendas irão aumentar gradativamente. “Temos que ter uma expectativa positiva. Na festa de Santo Antônio, no dia 13, as vendas costumam aumentar. Por enquanto, o que mais vendemos são para as crianças”, disse ela.

Na verdade, segundo a comerciante, os fogos mais utilizados pelas crianças, como estalos de salão, track de bebé, chuvinha e o pequeno vulcão são os mais vendidos em todo o período junino. “Elas são o carro-chefe. E cada vez mais estão sendo produzidos fogos diferentes e com menos perigo”, disse ela, mostrando novidades, como uma abelhinha que ao ser acesa voa por alguns segundo e uma mariposa que deixa um rastro colorido pelo céu.

Os fogos mais vendidos para os adultos são as espadas, vulcões e foguetes. “Hoje a preocupação do fabricante com a segurança é bem maior. Os foguetes, por exemplo, vêem acompanhados de um suporte para a pessoa não soltar na mão ou pode também encaixar um no outro, ficando o mais longe possível da pessoa que está soltando”, explicou Ilza Santos acrescentando que caso venha acontecer um “jabu” (nome popular dado para quando o estouro acontece antes do tempo esperado), quem estiver soltando não saia ferido.

PREÇOS – Os preços dos fogos variam muito. Os usados pelas crianças como track de bebé e estalos de salão, estão custando R$ 1,00 a caixa. Do mesmo preço é o vulcão pequeno. Já a dúzia de chuvinhas varia de R$ 1,00 a R$ 3,00, dependendo do tamanho.As novidades, como a abelhinha e a mariposa são mais caras, saindo cinco unidades por R$ 3,00 e três peças por R$ 8,00, respectivamente.

ABERTURA – A festa de abertura dos barraqueiros acontece no próximo dia 4 de junho. Os comerciantes enfeitam o espaço com bandeirolas e o evento contará com sanfoneiros, quadrilha e comidas típicas. “Além de nossas famílias, nós também convidamos os clientes e fornecedores”, disse Ilza, acrescentando que todos os barraqueiros doam fogos e no dia acontece uma grande queima.

Por Raquel Almeida

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