XVII Festival Nordeste de Capoeira ocorre em Laranjeiras

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Capoeira é reconhecida como Patrimônio Cultural Não-Material
A cidade de Laranjeiras, conhecida por ser tombada como Patrimônio Histórico Nacional, será palco de um evento cujo foco principal é uma das manifestações culturais mais antigas do Brasil e que detém o título de Patrimônio Cultural: a capoeira. A partir desta sexta, 25, e até domingo, 27, o grupo ‘Os Molas’ comemorará os seus 32 anos de atividades com o XVII Festival Nordeste de Capoeira.

Sediado no campus da UFS daquela cidade, o encontro terá como objetivo, além da comemoração, chamar à atenção da comunidade para as discussões. “A importância também está em trazer o tema para uma cidade que tem um histórico forte com a cultura afrodescentente, cuja influência é expressa também na sua população”, explica o professor Luiz Carlos Vieira Tavares, ou Mestre Lucas, como é conhecido.

De acordo com ele, são esperados participantes de várias partes do nordeste e estudiosos da capoeira, vindo de outros lugares do país. Uma das presenças já confirmadas é a do Mestre Itapoan, da Universidade Federal da Bahia (UFBA), considerado uma das maiores autoridades sobre o tema no Brasil.

Na programação constam palestras, apresentações de danças afro, oficinas de capoeira regional e angola, oficinas de maculelê, entrega de cordões, batizados de capoeiristas e lançamentos de livros e revistas, mostra de filmes, exposições, formaturas, etc.

Mestre Lucas é um dos fundadores do grupo “Os Molas”, que completa 32 anos
“É a oportunidade de trazer para discussão a questão ligada aos afrodescendentes, mas a capoeira em específico. Hoje ela já faz parte das universidades, está presente nos cursos de educação física como disciplina obrigatória e também está nas escolas. É uma boa oportunidade principalmente por essa discussão ser em nosso Estado”, diz Mestre Lucas, um dos fundadores do ‘Os Molas’.

Novos espaços para a capoeira

Dentro desse tempo de história, Mestre Lucas fala sobre como a imagem da capoeira foi convertida, mas ressalta que o preconceito ainda existe. “Apesar de já ter rompido paradigmas e ter conquistado vários ambientes, como universidades, e de ser tema constante de teses, o preconceito existe, assim como tudo o que pertence aos negros”, lamenta. Entretanto, ele afirma que isso não diminui a estima que se tem com o folguedo.

Ao adquirir espaço no meio educacional, a capoeira adquire aspectos artísticos, culturais, históricos e esportivos. Neste último âmbito, o mestre diz que é necessário ter cautela, para que ela não se torne um ‘esporte da moda’, pois acabará por abandonar a sua essência. “Ela deve fugir da espetacularização, de ser um estandarte”, diz.

“Os Molas’

Nascido em 1967 a partir de uma aula de educação artística, o grupo ‘Os Molas’ possui uma história de destaque em Sergipe, tendo ramificações em Alagoas e na Bahia. Eventos como o XVII Festival Nordeste de Capoeira são tradicionais no grupo, sendo que já atraiu equipes de países como Estados Unidos e Holanda.

O Mestre Lucas destaca que ‘Os Molas’ foi o primeiro a gravar um LP com músicas de capoeira. “Fomos pioneiros do Norte e Nordeste a fazer isso. Isso é histórico porque nem os grupos da Bahia, que são mais tradicionais, conseguiram fazer”, comemora. Além de um CD, nesse período de história do grupo também foram lançados revistas e livros.

Apesar das conquistas, dos “Molas” e da capoeira como um todo, Lucas ressalta que “a capoeira ainda tem muito a dar e contribuir não só na questão histórica, mas na educacional, principalmente”, pontua.

Neste sentido, o XVII Festival Nordeste de Capoeira entra como um incentivo. O evento é voltado para mestres e professores de capoeira, capoeiristas, alunos de dança e de educação física. As inscrições custam R$ 20. São esperadas até 500 participantes.

Por Diógenes de Souza e Carla Sousa

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