A mágica de cozinhar com o Sol

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Com técnica e estudo foi possível viabilizar o processo de cocção com sol
Certamente a maioria das pessoas nunca pensou sobre a possibilidade de comer alimentos cozidos com o calor que vem do Sol. Mas, além de ser real, essa idéia tem despertado o interesse de uma comunidade em conhecer e fazer proveito dessa tecnologia. Essa é uma novidade que tem se revelado mágica para muita gente.

 

“Não acreditava, não vou mentir! Só acreditei mesmo quando vi a moça abrir a panela e sair fumaça”, conta a dona de casa Ana Sandra. Só depois de provar a comida ela não teve mais dúvidas de que a idéia realmente funciona. “É uma delícia!”, afirmou a jovem mãe, que deixa os filhos na escola e segue para o curso duas vezes por semana.

 

Sandra está descobrindo aos poucos a magia dos fogões solares
Sandra e outras 20 pessoas, aproximadamente, fazem parte da primeira oficina para adultos da recém inaugura Cozinha- Escola Experimental Solar (CEES), localizada no conjunto João Alves, em Nossa Senhora do Socorro. Lá, a comunidade aprende a cozinhar utilizando um recurso disponível na natureza e ecologicamente correto. No mesmo local, após as aulas, os participantes recebem almoço produzido com diversos tipos de fogões solares (ver Box). Um deles é o tipo caixa, genuinamente sergipano e que a comunidade irá aprender a produzir no decorrer da oficina.

 

As primeiras aulas são basicamente teóricas, depois os alunos partem para a prática, quando vão aprender a confeccionar e testar o próprio fogão. Uma chuva de dúvidas e

Edinielza e a colega Valéria: satisfação dos alunos estampada no rosto
questionamentos surgem nas primeiras aulas. No olhar dos alunos, o mesmo semblante de interrogação. “Será que esse troço funciona mesmo?”, devem ficar se perguntando.

 

Edinilza dos Santos, vê na idéia de cozinhar com o sol uma forma de se livrar da conta do botijão do gás. “Está muito caro, é R$ 37 por mês. Se realmente der certo vai ser uma economizinha pra gente”, ressalta. Ela ficou surpresa de saber que no fogão solar dá para cozinhar o feijão em três horas. No fogão convencional, sem usar panela de pressão, ela gasta cerca de duas horas.

 

O professor de engenharia mecânica da UFS e coordenador da CEES, Paulo Mário Machado, afirma que entende a reação das pessoas em não acreditar na funcionalidade desta tecnologia e sabe que, como ocorreu com Ana Sandra, a certeza só vem com a prática e a experiência.

 

Paulo Mário: preocupação com a questão cultural
Iniciativa

 

Deixar os bancos e laboratórios da universidade para levar o conhecimento para perto da população. Este foi um dos objetivos que motivou Paulo Mário e seus colegas a pensar no projeto da Cozinha Solar. “Não faria sentido esse trabalho se não fossem as pessoas. É uma honra poder sair da universidade e vir interagir com eles e trocar conhecimento”, afirma.

 

Apesar do entusiasmo de toda equipe e dos próprios alunos, Paulo prefere não fazer previsões sobre o impacto desta nova experiência com os fogões solares no cotidiano da comunidade. “É bonito o discurso mais será que temos o direito de mexer com a questão cultural envolvida nisso tudo? São mudanças sutis, como deixar de usar a lenha ou o gás, mas que mexem com os costumes das pessoas”.

 

No entanto, já dá para prever um aspecto bastante positivo fruto deste trabalho.  “Por enquanto o que pudemos observar até agora é que as pessoas começam a perceber as questões ambientais que passam a ser importantes para a vida delas. São coisas que a modernidade nos afastou, como ficar mais ligado com a natureza com o clima, prever se vai fazer sol ou não… Esse é um aprendizado novo que é muito positivo para todos”.

 

Diferentes tipos de fogões solares utilizados na CEES
A 1° do Brasil

 

O projeto da Cozinha- Escola Experimental Solar (CEES) é uma iniciativa inédita no Brasil. A idéia só saiu do papel graças ao apoio da Secretaria de Estado da Inclusão, Assistência e do Desenvolvimento Social (Seides), Sergipe Parque Tecnológico (Sergipetec), em parceria com a Universidade Federal de Sergipe (UFS) e sob a chancela da Unesco. “É uma vitória esse projeto sair da concepção para virar realidade”, ressalta Paulo.

 

A CEES fica aberta ao público externo todas as terças-feiras. Nos demais dias são oferecidas oficinas para a comunidade da região. Os interessados em visitar o projeto para conhecer como funciona esta tecnologia e provar a comida feita com o calor do sol podem ligar para o telefone (0xx79) 8116-8734. A escola fica localizada no Mutirão do conjunto João Alves, Rua “L”, em Socorro.


Por Carla Sousa

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